As nossas leituras

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: quarta-feira, Maio 6, 2015

Lembro-me de questionar com veemência, inclusive sem ter clareza da sanidade, os boatos que davam conta do forte crescimento do whatsapp, inclusive se colocando como futuro legítimo sucessor do Facebook nas preferencias de gente conectada espalhada por todo o  mundo.

Meses se passaram, o Facebook comprou o whatssapp, e hoje já não duvido – nem tão pouco me atrevo em apostar – sobre quem ou qual será o grande protagonista da arte de nos aproximar por meio de bits. Diante dos fatos e possibilidades prefiro fazer diferente, ou melhor, pensar diferente, buscando contemplar, usufruir e problematizar tratando das novidades diárias que pipocam via os múltiplos dispositivos que nos levam à Internet.

Hoje quero lhes contar sobre a experiência de viver em grupos do ‘zap zap’. Pois é, vamos   chama-lo assim, pois foi desse jeito que o app de dezesseis bilhões de dólares acabou baixando em nossos telefones e vidas. Primeiro, nos seduzindo  com a novidade de podermos nos comunicar com agilidade e baixo custo; segundo, com a possibilidade de fazermos isso cada vez com mais pessoas e, de repente, nos permitindo reconstruir e comceber novas turmas e tribos.

Pessoalmente tenho como grupos ativos: um comitê técnico científico que discute questões relacionadas à produção de conteúdos e metodologias destinados a qualificar o movimento de cegos latino-americano; um grupo de amigos que compartilham descobertas de rótulos de cervejas artesanais; e shows de MPB e rock na Grande São Paulo. Tem também a grande família, onde diariamente me encanto ao testemunhar os avanços de meus pais e tios no mundo digital; ainda  participo de um grupo de dicas sobre a utilização de produtos Apple por pessoas cegas e com baixa visão e, é claro, estou também no grupo do trabalho, que não nos dá descanso sequer de fim de semana. Existem os grupos esporádicos para tratar de eventos e situações específicos e, não ocasionalmente por último, também estou no grupo que emprestou o nome para essa coluna.

Lá participam pessoas cegas e com baixa visão compartilhando suas experiencias e descobertas. Escolhi falar um pouco mais do convívio neste grupo, pois acredito ser importante levar a vocês o quanto significa para nós cegos vislumbrarmos a possibilidade concreta de ler aquilo que quisermos. Trata-se de uma revolução no sentido mais belo e transformador que essa palavra um dia pôde nascer para dar.

Em “as nossas leituras” fazemos verdadeiras revoluções diárias ao compartilharmos todas as  dificuldades de décadas anteriores, onde a produção braille não alcançava nossos anseios e necessidades. Nos divertimos e nos emocionamos ao lembrar da chegada da Internet, da conexão discada, enfim, da explosão de mundo materializada em letras e sons que, de repente se mostravam acessíveis.

É importante deixar claro que em muito ainda precisamos avançar para que o acesso à leitura seja, de fato, algo simples e com a dignidade necessária e almejada por pessoas cegas e com baixa visão deste país. Contar para vocês o imenso prazer de falar sobre livros com amigos de diversas partes do país, a qualquer hora e em qualquer lugar, traz a ideia de lhes chamar a pensar sobre o quanto podemos aproveitar e fazer a partir dos novos recursos tecnológicos e mais que isso, das novas possibilidades humanas de convívio no espaço virtual.

Agradeço e cumprimento a amiga Magda, idealizadora da nova turma, e recomendo sem medo de errar que possam conceber ideias semelhantes.

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Que horas são?

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: quinta-feira, Março 26, 2015

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Já estou acostumado a dizer as horas como qualquer outra pessoa que socorre alguém preocupado com a posição indicativa dos ponteiros em relação ao tempo presente, ou em outras muitas situações, atendendo a curiosidade legítima de pessoas que se surpreendem ao ver em meu pulso esquerdo uma ferramenta que historicamente só dialoga com o olhar.

O relógio foi feito para ser visto, seja por quem necessite saber das horas, seja por tantos outros que o reconhece como um adereço de beleza, uma joia, um elemento de vestimenta com alto valor agregado. Partindo deste raciocínio alguém pode dizer que relógios e cegos não combinam; argumento que vai para o espaço diante das milhares de vezes em que respondi após um: ‘que horas são?’.

Existem muitas possibilidades de um cego acessar as horas e neste artigo não pretendo esgotar todas elas, mesmo porque, pode ser que no exato momento em que estou lhes escrevendo essas “bem tecladas linhas” pode estar nascendo uma nova possibilidade tecnológica que supere o tema deste texto.

Os relógios mais conhecidos para cegos no Brasil são os nada simpáticos falantes. Eles acabaram se popularizando por conta de uma leva de milhões de peças vendidas para cegos e não cegos, pois trazia consigo uma grande novidade: tratava-se do anúncio das horas por Sr. Abravanel, ele mesmo, o dono do Baú, o cara das telesenas, o garoto propaganda voluntário do Netflix, Silvio Santos. Ocorre que muito antes dos tais brinquedos tomarem lojas e bancas de camelôs, já tinhamos no Brasil algumas possibilidades de relógios com vozes (e cabe observar que  quase em 100% em inglês ou espanhol.

Outra possibilidade é materializada pela proposta de relógios em Braille. Pode-se checar a hora levantando a tampa. O usuário deve tomar um pouco de cuidado, além é claro de manter as mãos limpas no momento da checagem, visto que está com o dedo em contato direto com o mostrador do equipamento. Existem modelos e marcas com boas possibilidades de design, porém os preços no Brasil ainda são um pouco proibitivos e acabam muitas vezes sendo mais caros que os tais falantes. Cegos ainda podem saber das horas com relógios híbridos, ou seja, braille e falante. Esses são bem bacanas, pois em um momento de discrição quando o usuário não quer incomodar quem está por perto pode recorrer á consulta tátil; já em uma festa em que porventura as mãos estejam úmidas ou até engorduradas em virtude daquele churras, utiliza-se  o modo fala.

Pessoalmente tenho um que trabalha com duas possibilidades táteis. Ele tem toda a marcação que sinaliza os minutos em alto relevo, assim como em modo Braille, porém, neste caso, os pontos ficam expostos circundando o visor do aparelho. Quando vou consultar as horas, pressiono a coroa lateral, posiciono o dedo no centro do visor e faço uma varredura em sentido horário. Aí entra em cena a outra solução tátil, no caso retornos vibratórios, sendo um retorno longo identifica a hora e outro curto que me mostra os minutos.

Em tempo de vivermos e testemunharmos a reinvenção dos relógios por parte das grandes empresas de tecnologia, espero que possamos vislumbrar soluções modernas e atrativas de acessibilidade e usabilidade.

Ainda não testei os que já chegaram no mercado, mas em breve espero voltar a esse assunto para compartilhar um pouco de minhas impressões diante das novas possibilidades de experiência no uso de relógios.

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O que lhe parece belo

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: sexta-feira, Março 20, 2015

A política passa, mas os amigos ficam!!!

A política passa, mas os amigos ficam!!!

Em meio a tanto ódio e descompromisso com a generosidade, tem sido difícil navegar pela Internet sem esbarrar em amigos de longa data rompendo vínculos e degladeando-se em nome de suas “convicções econômicas, sociais e políticas”. Pessoalmente, tenho lido muita coisa bacana a respeito desse fenômeno vivido pelo país, logo entendo que é hora de nos esforçarmos para sair desse Fla x Flu ideológico, pois há muitas coisas para serem debatidas e feitas antes que a verdade absoluta de um lado ou de outro acabe ganhando destaque isolado em nossas estruturas de poder.

Pensando nisso, decidi contribuir propondo temas que nos fazem bem para alma, independente da cor partidária, do time de futebol, da religião, enfim. Quero falar do que nos encanta por ser belo e, antes que alguém argumente que em sendo belo sempre haverá o   feio surgindo como contraponto, preciso discordar, pois o belo nos faz bem para alma sem necessitar negar o feio, ou seja, o que verdadeiramente elegemos como belo se basta.

Pensem naquela canção que te pega pela mão e caminha contigo até algum lugar no tempo. Diferente de seu time de futebol, ela não necessita de algo a vencer para fazer seu coração bater mais forte. O que dizer então daquele livro que ao fim lhe fez pensar por horas ou, em alguns casos, até chorar. Diferente da sua posição política, não foi necessário negar outras possibilidades para que aquelas páginas ganhassem lugar em suas histórias e memórias.

O belo se apresenta a nós de forma arrojada, avassaladora e me atrevo a dizer que até invasiva. Trata-se de um fenômeno que minimamente podemos descrever, porém impossível de se traduzir, pois a beleza configura-se em uma espécie de certificação individual  que, por vezes, ganha força coletiva. Nestes casos, acontece um poderoso efeito sinérgico que na maior parte das vezes assegura ao eleito lugar garantido na história de um povo.

Um quadro, uma música, um sorriso, um local, uma história, um rosto, uma voz, um discurso, uma postura, um acontecimento. O belo não tem regras para se manifestar, pois só existe na medida em que alguém lhe sente e reconhece. Assim, o belo depende do humano, logo pode ser incompreendido, ignorado ou até subjugado; contudo, o belo já cumpriu sua função no momento em que se fez possível e único para quem o reconheceu.

O belo verdadeiro é o principal antídoto para a pasteurização da beleza. Assim, alguém pode ter até afirmado ser bela aquela canção que ganhou vida graças à repetição inconsequente de algum veículo de mídia bem remunerado. Mas, ao fim das contas, ela passa, se torna descartável, e o que de verdade é belo ganha espaço nos corações e mentes das pessoas independente de acúmulo econômico, social, cultural e/ou intelectual.

Proponho que reverenciemos o belo e busquemos nesta possibilidade uma saída diante de tantas posturas radicais e sem brilho.

Me despeço com ajuda do mestre Rubem Alves: ”Lutam melhor aqueles que têm sonhos belos. Somente aqueles que contemplam a beleza são capazes de endurecer sem nunca perder a ternura. Guerreiros ternos. Guerreiros que lêem poesias. Guerreiros que brincam como crianças”.

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A desconstrução do panelaço

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: quarta-feira, Março 11, 2015
pessoas com panelas nas mãos

pessoas com panelas nas mãos

Acompanhamos pela internet e pelos grandes veículos de mídia o panelaço do último domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Tratou-se de um conjunto de manifestações atomizadas fisicamente e, ao mesmo tempo, altamente conectadas via redes sociais. A gritaria brotou das sacadas de prédios e janelas de residências de centenas de lares brasileiros habitados por cidadãos insatisfeitos com as atuais práticas e perspectivas apresentadas pela Presidente Dilma Rousseff.

O fenômeno se deu no momento em que a mandatária da nação se pronunciava em rede nacional pedindo apoio e compreensão frente aos ajustes fiscais e à toda a crise experimentada pelo povo, empresas e instituições tradicionais do país.

Os resultados decorrentes de tais acontecimentos não foram surpreendentes, pois mais uma vez o que se viu e ouviu foi um debate caracterizado por uma dicotomia rasa, onde de um lado se maldizia Dilma e seu partido, e de outro se condenava as manifestações. O Partido dos Trabalhadores, já na madrugada de segunda-feira, se manifestou por meio de nota sustentando uma linha de raciocínio que trazia por pilar estruturante a fala do Vice-presidente e Coordenador de redes sociais do partido, Alberto Cantalice, afirmando que: “existe uma orquestração com viés golpista que parte principalmente dos setores da burguesia e da classe média alta”.

Neste espaço onde por anos temos discutido inclusão, cidadania, participação popular e controle social, cabe agora refletirmos juntos sobre qual o risco de se desqualificar a possibilidade de se manifestar a partir de filtros que rotulem determinados segmentos como legítimos ou não. Classificar manifestações democráticas e pacíficas como golpe, levando em conta recorte de renda e localização geográfica, me parece ir na contramão de tudo porque temos lutado quando o assunto é democracia.

A célebre afirmação de Voltaire, que nos guia como um mantra quando falamos em liberdade de expressão dizia: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”, não trazia consigo em qualquer momento condição econômica, racial ou de gênero para ser legítima.

Não entro no mérito das manifestações, nem tão pouco dos atuais ajustes feitos pela gestão petista, contudo creio que tentar rotular a insatisfação de parte da população como sendo golpe de burgueses e brancos endinheirados, configura-se em uma estratégia que ameaça e agride toda nossa caminhada democrática.

É evidente que precisamos ficar alertas frente às possibilidades infinitas de  manipulação da opinião pública pela grande mídia, como também ficarmos atentos diante de retóricas oportunistas defensoras de um impeachment imediato e a qualquer custo. Isto posto, não podemos permitir que se tenha uma “curadoria” de manifestações no Brasil, dizendo ao povo sobre o que é ou não legitimo se de pleitear.

Criou-se uma falsa verdade absoluta, sustentada por três falsos rótulos atribuídos a quem critica o governo atual, que devem ser desconstruídos com urgência para avançarmos na consolidação de um país verdadeiramente democrático.

O primeiro vai na linha de infantilizar os pleitos. Montam-se textos rebuscados, repletos de situações e palavras em desuso, com o único objetivo de desqualificar quem está se manifestando, fragilizando assim possíveis futuros debates.

O segundo busca botar toda oposição em um mesmo balaio político, ou seja, se está contra o governo da Presidente, significa ser de direita, reaça e fascista. Devemos lembrar que apesar de se autodenominar como de esquerda, o governo atual não tem avançado em temas caros para a consolidação de uma gestão progressista. Pois é, não dá para cair na falácia de que só se é esquerda no Brasil se defender o governo federal. Alguém já ouviu a Presidente defendendo a descriminalização do aborto ou mesmo algum ministro falando com entusiasmo sobre a descriminalização das drogas?

Por fim, vem o rótulo mais utilizado atualmente. Trata-se do burguês branco e golpista. Pessoalmente conheço muitos que ganharam essa certificação, porém estão com a conta do banco arrebentada, CPF negativado e o único golpe que conhecem geralmente trata-se de algum daqueles aplicados por espertalhões virtuais ou presenciais.

Nossa democracia é jovem e não tenho dúvidas que todo nosso empenho deve ser no sentido de fortalecê-la. Assegurar o direito de criticar o PT, o PSDB e/ou qualquer outra instituição, desde que sejam sempre considerados os princípios e valores que nos permitiram chegar até aqui.

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Quer Economizar?

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: quarta-feira, Março 11, 2015

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Pegando carona no grande bonde de palavras dIstorcidas, ou melhor, ressignificadas  pelo senso comum, o verbo economizar acabou se transformando em sinônimo de oportunidade para   gastar o máximo que se pode com produtos precificados abaixo da média de mercado. Lembro-me estarrecido de uma  promoção relâmpago que tive a oportunidade de acompanhar em uma dessas grandes redes de supermercados. Como é de praxe, enquanto as pessoas caminhavam e compravam aquilo que haviam se disposto a encontrar – ou mesmo tantas outras coisas que acabavam lhes seduzindo ao longo das prateleiras – o locutor anunciava que: “Em breve, dentro de alguns minutos, aconteceria uma grande promoção”. Ele não dizia qual seria o produto, muito menos quanto custaria, mas afirmava que seria um momento único, dava dicas para onde as pessoas deveriam se dirigir e conclamava todo empenho dos presentes para que não perdessem tamanha oportunidade.

Com suspense digno de final de novela das nove, aquele homem que agora fazia bater mais forte o coração de centenas de consumidores ávidos por ter um produto para chamar de seu, começou uma contagem regressiva. Em meio a uma loucura coletiva, como se fosse por mágica, cada vez mais pessoas correram até a “meca do preço baixo”  demarcada por ele minutos antes. Assim só restava para o rapaz contar cada vez mais alto e lentamente, assegurando desta forma,  chances equivalentes para  jovens e idosos, afinal, alertava ele: “Corram que não vai ter pra todo mundo”.

Produto e preço anunciados. Minha esposa me narrava a cena onde pessoas disputavam com energia cada unidade disponível de baldes grandes para lavar roupas, anunciados naquele momento por noventa e nove centavos. Jamais imaginei que tanta gente poderia, na mesma hora e local, estar tão necessitada por baldes.

Eu trouxe essa temática para esse espaço pois acredito que comprar pode e deve ser encarado como um ato de cidadania. Sendo assim, mesmo conhecendo e tendo estudado as infindáveis possibilidades da publicidade, entendo que debater o assunto gera empoderamento e pode provocar novos olhares. Então, pagar menos em um balde pode sim ser uma decisão acertada desde que se necessite ou, ao menos,  exista a expectativa de vir a utilizá-lo. Pagar menos, por muitas vezes, é percebido como um prêmio porém, não são  considerados elementos como necessidade/desejo, o que faz com que muitas pessoas deixem de comprar o que querem para adquirir o que lhes ofertam de última hora.

Para piorar a situação vivemos em um país onde a decisão por pagar caro por muitas vezes acaba sendo entendida como meio de alavancagem de status social, mas paradoxalmente  na mesma proporção, também se pode fazer a leitura de que se trata de uma postura  arrogante e prepotente. Então, vejam que loucura: economizar para boa parte dos brasileiros significa comprar o que quer que seja, desde que seja barato. Para outros tantos significa sinônimo de humildade, um exercício extremo de desapego manifestado publicamente e que pode até ser merecedor de  um futuro lugar no céu.

Henry Ford dizia que “Economia, frequentemente, não tem relação com o total de dinheiro gasto, mas com a sabedoria empregada ao gastá-lo”. Vale então refletir sobre quais os principais fatores que tem nos levado a comprar, lembrando que este não é um espaço de educação financeira. Estamos falando aqui de inclusão e cidadania e propondo que economizar deixe de ser uma ação tomada por impulso ou baseada no senso comum do conceito para se transformar em protagonismo efetivo de consumidor, levando é claro sempre em conta, a escassez dos recursos, os sonhos, as necessidades e as possibilidades decorrentes de cada aquisição.

Economizar é mais do que pagar menos. Trata-se de vivenciar uma experiência de compra inteligente.

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O Brasil não sabe o que quer. E você? – Parte III

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: terça-feira, Fevereiro 24, 2015

Bandeira do Brasil

Chegamos ao fim desta série de textos repletos de temas que nos desafiam a formar opinião. São os últimos quatro eleitos que, se mais explorados, ofereceriam um ilimitado leque de possibilidades.

  1. Segurança pública

Este é daqueles assuntos que quando começam ganham desdobramentos intermináveis, porém sempre com abordagens superficiais e distantes de qualquer possibilidade imediata da resolução de problemas. A violência nos centros urbanos do Brasil mata mais do que muitas guerras iniciadas e já findadas ao redor do mundo. Pena de morte, redução da maioridade penal, mais polícia nas ruas. Vejam que as ideias exaustivamente debatidas pelos leigos e/ou pelos entendidos ”do riscado”, se mostram frágeis e não nos dão qualquer esperança de dias melhores. Nossos atuais mandatários de esquerda, direita ou orientação política indefinida, não tratam do assunto à altura do que se necessita e a sociedade, tampouco, debate com a profundidade que a urgência exige. Que ansiamos por segurança é fato. Mas que caminhos esperamos que sejam tomados para que se avance com velocidade neste sentido?

  1. Crise hídrica e energética

Nunca se ouviu tanta gente debatendo a seca na cidade de São Paulo ou possíveis futuros apagões pelo Brasil. Me perdoem o trocadilho infeliz, mas não dá para perder a piada. O que se passa, de fato, é que ‘caiu a ficha’ que se corre o risco real da água não bater onde se costuma dizer no dito popular. Mas, isto posto, faz-se necessário ultrapassarmos a fase de debates sobre os culpados desse caos para começar a defender propostas e soluções imediatas e de longo prazo para os problemas. Usinas de dessalinização? Termoelétricas? Transposição de rios? Energia nuclear? São possibilidades para todos os gostos e acredito que buscar entender um pouco mais sobre cada uma delas possibilitaará ao povo brasileiro botar isso na  pauta de debates das próximas eleições como assuntos prioritários. Daí em diante é lutar democraticamente para que o melhor projeto de país saia vencedor, afastando de vez os fantasmas que já deveríamos ter combatido há décadas atrás.

  1. Casamento gay

Eu disse no início dessa série que não iria emitir opinião, pois o que espero é provocar reflexões. Contudo, ao chegar neste tema, não posso deixar de dizer que entendo como surreal ainda existirem impedimentos sociais e legais para que pessoas possam viver juntas, se amando e sendo felizes. Pior ainda é a hipocrisia que permeia este debate, pois na contramão do que pregava o grande Paulo Freire, pessoas com discursos aparentemente modernos e progressistas acabam protagonizando em suas vidas pessoais e profissionais uma prática conservadora e preconceituosa. Conhece alguém assim?

10. Corrupção

Muita gente acha que corrupto só existe na política e só se vê na televisão. Infelizmente isso cria a falsa sensação que o problema é distante e que a culpa está sempre no outro. Se fizermos uma pesquisa tenho a impressão que uma esmagadora maioria da população se colocaria contrária e indignada diante das ações de corrupção. Mas também imagino que se o mesmo instituto de pesquisa desenvolvesse uma metodologia para identificar pequenos hábitos de legalidade duvidosa, chegaríamos a  números constrangedores. Achismos à parte, acredito que o Brasil pode sim dizer não à corrupção, porém o povo precisa decidir que sim.

Qual a sua opinião?

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O Brasil não sabe o que quer. E você? – Parte II

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: sexta-feira, Fevereiro 13, 2015

Bandeira do Brasil

Hoje continuamos a nossa conversa apimentada com mais três de dez ingredientes que tomam espaços na mídia e em debates políticos, mas ainda com poucos avanços se pensarmos em     posicionamentos bem fundamentados, sem fanatismos ou achismos de toda ordem.

4. Liberação das drogas

Vamos combinar que a polêmica já nasce com um grande erro de origem. Drogas já são liberadas e podemos comprá-las, inclusive, em estabelecimentos com denominação específica, afinal, quem já não entrou em uma drogaria? O que se deve discutir é o quê se entende, no Brasil, por drogas sejam elas lícitas ou ilícitas. E em sendo ilícitas qual tratamento queremos que seja dado para quem produz, comercializa e consome? Entre a ‘romantização’ da maconha  e o extremismo de parlamentares poderosos ou agentes midiáticos conservadores, fica um grande vazio que clama pela necessidade de encontrarmos efetivamente um caminho qualificado para que possamos vencer, não o usuário da droga A ou B, mas sim todo o sistema complexo de violência, corrupção e mortes que se instalou no País a partir da maneira pela qual o Brasil trata essa questão.

5. Democracia e ditadura

De tempos em tempos assistimos a alternância de posturas sociais ora mais progressistas, ora totalmente reacionárias. Nesta batida, acompanhamos perplexos, jovens e idosos, ricos e pobres, ainda que em números inexpressivos, saindo pelas ruas clamando pela volta da ditadura. De cara já vale nos perguntar: será que eles sabem realmente o que estão negando, ou pior, pedindo? Precisamos fazer chegar a todo o povo brasileiro que democracia não se trata apenas do ritual de votar no fraco conjunto de possibilidades que nos é apresentado. Democracia é direito de se expressar, de ir e vir, de participar da construção das regras que poderão impactar em nossas vidas hoje ou daqui a vinte anos. Vejam como Zygmunt Bauman, filósofo e pesquisador, enxerga a democracia brasileira a partir do conceito instituído por ele de ‘Sociedade Líquida’, onde as relações sociais, atualmente mais fluidas, ficam sem ‘amarras’ e podendo, como a água, cumprir um papel dialético capaz de viver o paradoxo de ser passageiro e, ao mesmo tempo, protagonista da construção do seu próprio tempo e caminho. Diz ele: “Eu acho que a democracia no Brasil passou por um teste muito difícil, não somente na questão de eleger o seu presidente de tempos em tempos. Democracia é sobre habilitar os cidadãos a exercerem a cidadania de fato, não apenas pela lei. Somos todos cidadãos por decreto, porque temos documentos, mas isso não significa que todos sejamos capazes de nos envolver nas atividades em que os cidadãos devem ser envolvidos. É sobre habilitar as pessoas a participarem da condução dos assuntos do Estado. Assim, democracia é sobre cuidar não só da opinião da maioria, mas também ajudar as minorias a terem suas vozes ouvidas. Ter algo a dizer, em primeiro lugar, e tornar-se interessante de ser envolvido, ser engajado. Se avaliarmos não pelo número de eleições, mas pelo efeito sobre quantos reais cidadãos verdadeiramente existem agora no Brasil – em comparação com, digamos, 1970 –, se usarmos essa métrica, veremos que é uma das melhores democracias do mundo”.

6. Aborto

O recém eleito Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, disse que a legalização do aborto só será votada se passarem por cima do cadáver dele. Independente de sermos contra ou a favor, será que é assim que se deve tratar tudo aquilo que parece antagônico ao nosso modo de pensar? Será que os brasileiros conhecem os números que apontam para a morte de centenas de milhares de mulheres por abortos clandestinos? E se caminhássemos para a legalização, quais seriam os parâmetros? Sei que em torno disso existem inúmeros elementos de ordem religiosa, filosófica e até científica. Acredito que tais variáveis sejam ainda mais motivos suficientes para que fujamos do papinho simplista que resume a conversa ao “sou contra, sou a favor”.

Buscar conhecimentos e ouvir o contraditório é, sem dúvidas, a melhor estratégia para que tenhamos de fato a nossa opinião. Você discorda? Então vamos continuar essa conversa em: www.blogdoferrari.com.br; no Twitter: @blogdoferrari; ou no Facebook: www.facebook.com/professorferrari .

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O Brasil não sabe o que quer. E você? – Parte I

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: quarta-feira, Fevereiro 4, 2015

Bandeira do Brasil

Um título de coluna propositalmente provocativo. É claro que se eu, você, nós, o povo brasileiro, tivermos clareza do que queremos, o país por consequência também terá.

Então vamos a dez pontos polêmicos que sempre aparecem nos nossos happy hours, salões de beleza e nos bate-papos de fila de banco, mas que acabam, infelizmente, não traduzindo de fato o que pensam as pessoas.

Com essa série de textos, dividida em três partes, não pretendo formar opinião a partir daquilo que acredito, mas sim, provocar maiores debates e reflexões que nos permitam verdadeiramente defender aquilo que acreditamos.

  1. Afinal de contas, políticos devem ou não receber salários? Eles ganham muito ou pouco?  De cara, já sabemos a resposta da maioria: “ganham muito e  não fazem nada”, “roubam demais”, “nem precisariam receber, pois deveria ser um trabalho voluntário”. Bem, discursos prontos à parte, será que o problema está no quanto ganham ou será que o ponto a ser discutido é  a  qualidade do trabalho que desempenham? Já nos perguntamos porque grandes profissionais – aliás infinitamente melhores remunerados que os nossos atuais representantes – correm dessa ”tal função pública”? Continuando ainda no assunto, será que todos são ruins, todos trabalham pouco? Para terminar cabe ainda nos perguntar: para basilar nossa opinião já buscamos conhecer o dia-a-dia de um parlamentar ou gestor público?
  1. Continuando a falar de política, como devem ser financiadas as campanhas eleitorais? A moda agora é defender o financiamento público. Você acha que devem sair dos impostos recolhidos o custeio das campanhas para cargos no executivo e legislativo? Se acha que não, como deveria ser? Será que empresas privadas apoiariam campanhas apenas alinhadas com o seu compromisso social ou esperariam algo em troca do seu apoiado eleito? Para avançar um pouco mais na conversa: seria injusto cobrar determinados favores depois de financiar o candidato já empossado? Não houve uma ajuda prévia?
  1. Mas se você não gosta de política, vamos mudar o rumo da prosa. Proponho pensarmos um pouco mais sobre como está nascendo o nosso povo. Estatísticas recentes apontam para mais de 80% de partos cesarianas em hospitais privados e por volta de 40% no setor público. A OMS – Organização Mundial de Saúde recomenda apenas 15%; logo, os números mostram que estamos “nascendo errado”. Pessoalmente, cheguei ao mundo depois de minha mãe passar por doze horas de trabalho de parto. Minha filha, ao contrário, nasceu graças a uma cesariana bem sucedida, sem a qual seria impossível um parto de sucesso conforme nos afirmaram os profissionais envolvidos. Histórias à parte, fica a verdade aparente: de que mães e médicos bons são aqueles em linha com as recomendações da OMS. Contudo, vale refletirmos se temos remuneração e formação acadêmica adequadas para a realização de partos naturais no Brasil. Precisamos conversar sobre em que medida um pseudo-modismo pode vir a colocar a vida de futuras mamães e bebês em risco? Para terminar cabem mais algumas perguntas: como país, temos uma meta a atingir? Qual o caminho necessário para percorrer até chegarmos a melhores índices de partos HUMANIZADOS?

Sem dar respostas, porém aguardando muitas reflexões, continuamos na próxima semana com mais pontos de interrogação nessa série de textos que nos propõe um debate a partir de novos olhares diante de velhos tabus.

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Sem controle.

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: terça-feira, Janeiro 27, 2015

controle by coisasestranas.blogs

Eram três: dois grandes e um pequeno. Mas, frente à minha quase inoperância diante daqueles aparelhinhos, decidi contar os botões. Oitenta e cinco ao todo, porém, a funcionalidade para mim, naquele momento, era bem distinta das reais possibilidades daqueles controles remotos que, em tese, seriam da TV, do ar condicionado e da operadora de serviço de cabo. Geralmente isso não acontece, pois sempre que chego a um hotel já costumo – me antecipando a um total despreparo dos funcionários para acolhimento de pessoas com deficiência – pedir para que me apontem ao menos como fazer para ligar o ar, desligar a televisão, mudar de canal e, claro, me falar onde deixarão meus chinelos ao fim do dia para quando eu retornar do trabalho.

É óbvio que isso não é uma regra e, felizmente, já tive boas surpresas com profissionais proativos, portadores de uma fala  previamente preparada e cheia de indicações sobre o local das toalhas, os controles remotos e outros tais. Mas voltando ao título dessa coluna, no dia em que me percebi de mãos atadas diante daquele trio projetado para permitir controle à distancia das coisas, me senti provocado a escrever pois, ainda perplexo com a inutilidade deles naquela ocasião, comecei a refletir  sobre  a possibilidade real de não só um cego viver aquele sentimento.  Façam uma pesquisa com pais, tios, avós, enfim, perguntem aos colegas de trabalho, ao taxista e à dona Maria lá da feira, quantas das funções ou botões dos muitos controles remotos que existem em suas casas eles sabem ou já viram ser usados por alguém. A abundância de possibilidades geralmente assusta e dá ao usuário a sensação de um possível erro que, na verdade, inibe a concretização de uma experiência completa no acesso aos caros equipamentos que as pessoas desejaram tanto antes de comprar.

Novamente preciso reafirmar que não estou aqui dialogando com uma regra, visto que mesmo em minha casa tenho eletroeletrônicos cujo o controle remoto tem apenas três botões, porém com inúmeras funcionalidades e grande nível de indução intuitiva, ou seja, dá para se usar sem ler qualquer manual. Para que tenham uma ideia, o equipamento ao qual me refiro é utilizado com plenitude por minha filha de quatro anos e por meus pais que já passaram dos sessenta. Contudo, o problema de usabilidade parece que infelizmente não tem tirado o sono de empresas e desenvolvedores de produtos. Pensar em soluções com acessibilidade, interfaces intuitivas e recursos alinhados com a diversidade etária e cultural é posicionamento vanguardista de mercado, e claro, passa pela decisão estratégica de qualquer negócio.

Vejam um outro exemplo: atualmente utilizo, como a maioria das pessoas cegas, um smartphone com tela touch sem qualquer dificuldade, ou seja, autonomia total. Isto porque uma empresa decidiu investir em pesquisa e fazer produtos verdadeiramente úteis para todos. Mas seguindo na linha do touch, recentemente tive o desprazer de conhecer máquinas touchscreen de uma operadora de cartão de crédito. Neste caso eles desconsideraram os milhões de consumidores cegos, nos deixando vulneráveis ao descobrir que só podemos utilizar sua maquininha mediante a condição de dizer a senha para alguém. Como dizem meus amigos cariocas, “sinistro não”?

Precisamos gritar e nos indignar diante das engenhocas e soluções de mercado que nos deixam sem controle. Pagamos pelo todo e usamos apenas uma parte, pois o produto ao fim não se viabiliza.

À propósito, fica o convite: deixem um post no meu blog ou um comentário na minha página no Facebook sobre as suas experiências ao tentar usar algum produto ou serviço que lhe deixaram “sem controle”. Vocês vão perceber que o que estou dizendo é bem mais ‘comum’ do que se imagina.

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O que você acha disso?

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: sexta-feira, Janeiro 16, 2015

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Em tempos em que se pode opinar por meio de botões das redes sociais, curtindo, compartilhando e comentando, cada vez mais as pessoas ganham coragem para se posicionar sobre tudo e todos que acabam aparecendo em suas timelines. Os que ainda não se conectaram ao mundo virtual, acompanham curiosos e porque não dizer com uma certa dose de espanto, as notícias anunciadas e repercutidas  por algum parente ou amigo, como se fossem estes, algo parecido como uma espécie de recém chegados de um planeta,  em pleno funcionamento paralelo   a “realidade sem graça” dos ainda  offline.

Ontem, aguardando para pagar os pães na fila da padaria, ouvi um cara dizendo ao amigo, “eu sou Charlie! Acabei de postar”. O amigo meio sem graça, com voz um pouco confusa perguntou, “porque mano??? Desde quando você virou isso aí?”. A postura desinformada e desplugada do debate global em torno do terror, fez com que o mais novo Charlie declarado no facebook, iniciasse um sermão para o colega, digno de invocação da Nossa Senhora da Vergonha Alheia. “Caramba moleque, em que mundo você vive? Charlie é o nome do Jornal onde os terroristas muçulmanos, mataram os jornalistas franceses”! Na sequencia desta explicação já recheada de equívocos e preconceitos, vieram muitas outras frases, sustentadas por um tom de voz digno de especialista em geopolítica internacional. Já com meus pães e a conta devidamente paga, seguindo para a rua, ainda deu tempo de ouvir o rapaz “desinformado” afirmando para o amigo, “ah se é isso então, pode falar aí no facebook que eu também sou!”

As reflexões decorrentes da tragédia ocorrida na França, disponíveis em diferentes veículos de mídias tem sido riquíssimas. Tratam da necessidade de buscarmos compreender de fato o que é liberdade de expressão, nos chamam a pensar sobre a tensão vivida pela Europa diante das ameaças do Estado Islâmico, e nos emocionam diante da indignação de milhões de muçulmanos do mundo todo, frente à atrocidade cometida por pessoas que segundo eles não os representam.

Contudo, infelizmente replicando a situação vivida a partir de tantas outras polêmicas menos relevantes, o oba-oba em torno do tema cresce de forma desqualificada e irresponsável. Milhares de pessoas repetem o mantra Je suis Charlie, sem ter ideia do conteúdo da publicação, do impacto do que é publicado para a crença de milhões de outros seres humanos, e o pior muitas vezes sem se quer saber o significado da expressão.

Pessoalmente, acho desnecessárias, de mau gosto, e ofensivas, as charges publicadas pelo Charlie. Penso ainda, que nada pode justificar um ato que tira a vida de pessoas, simplesmente por conta de seus posicionamentos, mas entendo que se faz urgente um debate amplo do que de fato entendemos como liberdade de expressão. Se alguém acha normal zombar do profeta, não pode pleitear a proibição de piadas racistas ou mesmo posturas preconceituosas.

Ao fim das contas, entendo que mais do que nunca, fica um chamado para que as pessoas, possam para além do curtir, comentar, compartilhar ou twittar, usar a internet para se informar com qualidade  antes de se posicionar. Quando opinamos, em maior ou menor medida, também formamos opinião, criamos micro tendências, formando partidários da questão a ou b. Essa capacidade que agora ganha força nos espaços virtuais, deve nos fazer pensar  que temos uma imensa responsabilidade para com aquilo que tornamos público, portanto devemos nos preparar minimamente antes de clicar, sobre qualquer que seja o assunto.

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