Traíra Sem Espinha

Essa dica é para os amigos que como eu, estão sempre aqui em Brasília.

Mais do que uma sugestão para gastronomia, o Traíra Sem Espinha é um bom ponto de encontro para bater papo, tomar uma cerveja e relaxar depois de um longo dia de trabalho. O local também funciona na hora do almoço e se localiza na Vila Planalto.

A vilinha é uma dica à parte, pois mesmo estando no plano piloto tem um jeito de cidadezinha praiana.

Se você conhece essa dica, ou pretende aproveitar, não esquece de passar por aqui e postar sua opinião. Até a próxima…

Maiores informação dessa verdadeira Vila dos Sabores através do site: http://www.querocomer.com.br/noticias.asp?cod_noticia=4992&cod_cidade=4.

III Congresso Internacional AVAPE de Reabilitação e Inclusão

A AVAPE promove bienalmente o Congresso Internacional de Reabilitação e Inclusão, fórum de caráter interdisciplinar, voltado aos profissionais da iniciativa pública, privada, organizações não governamentais e fundações, que atuam em ações nas áreas de reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência, gestão de organizações sociais, diversidade, responsabilidade social e programas sustentáveis.

O encontro proporciona aos participantes o intercâmbio de conhecimentos, o contraste de experiências profissionais, a disseminação de modelo de rede social, bem como o debate de tendências, e a consolidação do trabalho integrado entre empresas privadas, órgãos públicos e organizações do terceiro setor, na construção de iniciativas responsáveis, sustentáveis, inovadoras e transformadoras, gerando oportunidades igualitárias e solidárias para a sociedade global.

O Congresso conta com participação de renomados especialistas, executivos de alta performance, representantes de organizações e órgãos financiadores, nacionais e internacionais, que apresentam temas voltados à tecnologia de reabilitação, capacitação e colocação profissional, com foco em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Em suas duas primeiras edições (2005 e 2007), o evento reuniu protagonistas do 1°, 2° e 3° setor dos continentes americano, europeu e asiático. O evento de 2007 recebeu 46 palestrantes, 14 deles de organizações internacionais entre as quais BID, Mellwood, NGO Alliance, AIR, European Platform for Rehabilitation, TransCen, Penn-Mar Organization e CESVI.

Para este ano de 2009, o foco em Empreendedorismo Social visa trazer apresentações com base em experiências e práticas das organizações sociais, iniciativa privada e poder público, e as tendências e prováveis soluções para importantes temas do corrente cenário macroeconômico e social global.

O evento ocorre de 23 a 25 de novembro no Renaissance São Paulo Hotel, na Alameda Santos, 2233.

As inscrições são gratuitas e deverão ser realizadas através do site: http://www.avape.org.br/

Contamos com sua presença!

E quem não se lembra do saci?

Negrinho, amputado, fumante e mal falado na boca do povo, (que ninguém nos ouça), mas a coisa estava feia para o lado do moleque. Em tempos que não existia o estatuto da criança e do adolescente, e nenhuma legislação que assegurasse seus direitos, o saci se virava como dava.

Brincadeiras a parte, ontem, em meio a uma discussão acalorada sobre o protagonismo dos usuários da política de assistência social, lembrei dele. Com final feliz ou triste, com erros ou acertos, politicamente correto ou não, em história de saci, o “saci é o cara”.

Talvez esse seja um exemplo besta, mas para mim bastante elucidativo sobre o que é protagonismo. Nasci cego, e desde muito cedo meus pais foram atrás de tudo que podia existir para cegos: escola, remédios, brinquedos e até benzedeiras. Com toda simplicidade de um metalúrgico e uma dona de casa, o objetivo era acertar.

Rapidamente perceberam, que mais do que procurar o que existia, tinham também que construir. Quando eu tinha seis anos meu pai com outros pais e familiares de pessoas com deficiência, fundaram a AVAPE, associação da qual hoje faço parte. Nos meus quinze anos de militância, passando por tantas entidades e movimentos, essa talvez foi a maior lição. Quando nos tornamos protagonistas, deixamos de ser usuários e passamos a ser condutores do processo, construtores da história,  como diz minha mãe, dona Néia, o artista principal.

É fato que com isso vem também a responsabilidade. O protagonista ganha visibilidade. Olha o caso do Saci! Quem já não ficou sabendo do que ele andou fazendo com as crinas de tantos cavalos por aí?

Deixando as fofocas de lado, o fato é que temos muito o que comemorar. Hoje exercer o protagonismo é um direito garantido por lei. Cabe a nós sermos multiplicadores dessa idéia, formadores de novos atores. O resultado disso serão novas histórias, cujo final delas eu ainda não sei; mas tenho a certeza, todos conhecerão os protagonistas.

Nadas sobre nós sem nós!

SEMINÁRIO BRASILEIRO EM COMEMORAÇÃO AO BICENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE LOUIS BRAILLE

Caros amigos

Na última semana comemoramos em Brasília o Bicentenário de Nascimento de Louis Braille. O evento foi marcado por emoção, homenagens e principalmente muitas reivindicações.

Abaixo posto a carta de Brasília, documento consensuado pela plenária.

CARTA DE BRASÍLIA PELA DIGNIDADE E CIDADANIA DAS PESSOAS CEGAS E COM BAIXA VISÃO

Nós, participantes do SEMINÁRIO BRASILEIRO EM COMEMORAÇÃO AO BICENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE LOUIS BRAILLE, reunidos em Brasília – DF, durante os dias 24 e 25 de setembro de 2009, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, promovido pela Organização Nacional de Cegos do Brasil – ONCB,

Considerando que a Declaração Universal dos Direitos do Homem é clara ao afirmar que “todos os homens nascem livres, iguais em Dignidade e Direitos”;

Considerando que em dezembro de 2006 a Organização das Nações Unidas – ONU – aprovou a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, tendo o Brasil sido um dos primeiros signatários, o que ocorreu em 30 de março de 2007, e que esta mesma Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional através do Decreto Legislativo 186 em 09 de julho de 2008 e promulgada pelo Chefe do Poder Executivo através do Decreto 6949 de 25 de agosto de 2009, primeiro tratado Internacional de direitos humanos do século XXI, ratificado com equivalência Constitucional, que garante, entre outros, a Acessibilidade como instrumento precípuo na equidade de Direitos das Pessoas com deficiência;

Considerando que as políticas públicas brasileiras, ao longo da história, não vêm dando a devida atenção aos direitos coletivos desta camada populacional;

Considerando que o sistema Braille é fundamental e necessário na formação educacional, cultural, social e profissional das pessoas cegas e com baixa visão;

Considerando a necessidade de que as emissoras de televisão e demais veículos culturais, tais como cinemas e teatros se adeqüem ao sistema de Audiodescrição, assegurando o direito de acesso às pessoas cegas e com baixa visão a todos os conteúdos veiculados, respeitando o que dispõe a Lei 10.098/00 (Lei de Acessibilidade), regulamentada pelo Decreto 5.296/04;

Considerando os prejuízos decorrentes da morosidade na Regulamentação da Lei nº 10753/03, que estabelece a Política Nacional do Livro e Leitura, que conceitua e assegura que o livro em Braille e em formato digital sejam os mecanismos fundamentais para a informação e o empoderamento das pessoas cegas e com baixa visão;

Considerando a importância das tecnologias assistivas como instrumentos e meios fundamentais para a construção da Cidadania, da Inclusão e da Participação plena das Pessoas cegas e com baixa visão do nosso País;

Solicitamos das autoridades brasileiras as devidas providências no sentido de:

1. Estabelecer uma política justa de não discriminação de todas as pessoas com deficiência do País;

2. Implantar o Comitê de Monitoramento e Implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, com a participação plena da sociedade civil, envolvendo amplamente as entidades representativas deste segmento populacional.

3. Garantir para as pessoas com deficiência a efetivação de políticas públicas nas áreas de educação, cultura, artes (música, teatro, dança e artes visuais/táteis) esportes, lazer, ciência e tecnologia, direitos humanos, saúde, assistência social, transporte, habitação, capacitação profissional, trabalho, emprego e geração de renda, além de outras políticas necessárias ao exercício da cidadania, assegurando o controle social pleno, reforçando o conceito do “nada sobre nós sem nós”.

4. Reafirmar o compromisso com a educação inclusiva, e pugnar pela qualificação efetiva do profissional que atua na área da alfabetização das crianças com deficiência visual, por meio do sistema Braille, levando sempre em conta as diferenças das realidades regionais do nosso País.

5. Restaurar o caráter científico da Comissão Brasileira do Braille, instituída pela Portaria Ministerial 319, de 26 de fevereiro de 1999.

6. Garantir para os educandos com deficiência visual, usuários do sistema Braille, a produção com qualidade do livro didático em todas as disciplinas das distintas áreas do conhecimento, assegurando sua distribuição adequada e em tempo hábil, para todo o território nacional.

7. Implantar sistemas de audiodescrição garantidos em Lei, nas emissoras de televisão de canal aberto e fechado, cinemas, teatros e demais casas de espetáculos existentes em todo o território nacional.

8. Instituir com brevidade, o Decreto de regulamentação da Lei 10.753/2003, que estabelece a Política Nacional do Livro e Leitura.

9. Criar incentivos fiscais para importação e aquisição de equipamentos, softwares e todas as tecnologias assistivas que propiciem o pleno acesso educacional, artístico, cultural, profissional e informacional às pessoas cegas e com baixa visão.

10. Implementar uma política de acessibilidade às tecnologias assistivas nos espaços públicos, tais como escolas, universidades, bibliotecas, telecentros e outros

11. Fortalecer os projetos de tecnologias assistivas hora em execução, que garantem o acesso à informação, tais como Dosvox, Musibraille, Mecdaisy, além dos produtos de tratamento para acessibilidade ao livro, como Daisy e Lida, da FDNC, dentre outros, bem como incentivar o desenvolvimento de novas pesquisas e projetos destinados às pessoas com deficiência visual.

Desta forma, os participantes deste Seminário, reforçam os compromissos democráticos com a cidadania, legitimando a Organização Nacional dos Cegos do Brasil como fiel depositária dos anseios do coletivo populacional aqui representado.

Brasília – DF, 25 de setembro de 2009