Noel Online

Esses dias fiquei pensando como seria legal se eu encontrasse em meu messenger ou Skype, um pedido de adicionar contato, de nosso querido e bom velhinho. Há quem diga que ele não está para essas tecnologias, mas duvido! Um homem que ao longo dos anos viveu lendo cartinhas, com certeza se apaixonaria por esses novos brinquedos.

Mas deixando as hipóteses de lado, o fato é que o papo seria pra lá de agradável. Em primeiro lugar iria tentar consensuar com ele qual a melhor forma de me dirigir; já ouvi falar que bom velhinho é politicamente incorreto e que talvez; solícito homem da melhor idade fosse mais adequado. Pessoalmente tenho dúvidas, pois acredito que a melhor idade é aquela que vivemos.

Mas continuando a prosa, teria que entrar em um assunto difícil para nós dois. O dia que descobri que ele não existia! Foi uma data triste; Tentei rebater as afirmações, mas primos e amigos traziam provas contundentes, devidamente coletadas para serem apresentadas no ato da revelação. Anos mais tarde descobri que quem mentia era toda aquela garotada, que lutava contra um fato mais que concreto: é claro que Noel existe! Aliás está em praças, shoppings, filmes e no imaginário de músicos, cineastas, pais e filhos.

A confusão que ele talvez por vaidade, não fez questão de esclarecer na época por um simples e-mail ou por telefone estava no entendimento do custeio e da logística de entrega dos presentes. Em um mundo cada vez mais globalizado, porque logo ele não iria aderir à “terceirização”?

Um outro assunto que não poderia deixar de lado, seriam as constantes acusações a ele atribuídas, de ser na verdade o pai do consumismo. Pessoalmente fico me perguntando até onde isso é verdade? Um cara que já recebeu pedidos de fubecas e petecas, não deve ser o único culpado de desejos modernos bem mais complexos. Arriscaria dizer que bem antes dele vem a mídia. Apresentadores e apresentadoras de programas infantis estimulam constantemente as crianças a pedirem um brinquedo, uma nova guloseima, uma roupa do herói da temporada, desconsiderando as datas ou o bolso das famílias. Há fora isso, os papais e mamães em casa que não são “Noéis”, e acabam por vezes adotando o consumo como meio de vida. Trabalham para comprar, um novo terno, um novo sapato, um novo carro, independente de suas necessidades e de implicações ambientais ou sociais. Compram o pirata sem saber quem produziu, ou se recebeu para produzir. Compram em suaves prestações, sem planejar se ao longo da vida do carnê elas serão realmente suaves ou mesmo sem refletir se era realmente necessário, trocar o celular ou o televisor da sala.

Por fim antes de cair a conexão, me apressaria em parabenizá-lo. Ele faz parte de uma categoria profissional que tem por missão fazer sorrir e sonhar. Homens e mulheres são “Noéis” no Brasil e no mundo independente da temperatura, das condições do trânsito ou do poder aquisitivo de seu público. Cantam, dão balinhas e ao fim do dia, cansados, voltam para suas casas com uma diária que talvez não garanta o saco cheio, mas com certeza a “barriga cheia” de seus familiares.

Na pessoa do papai Noel, quero saudar a todos que estiveram comigo direta ou indiretamente em 2009. Colegas do trabalho, equipe e conselheiros do CNAS, amigos, alunos e familiares; Companheiros da ONCB, da Avape e de todo o movimento de luta por direitos; Aqueles que me acompanham no blog, no jornal e na TV.

Não tenho dúvidas que inclusão e cidadania também se conquistam com sonhos, com sorrisos e com a alegria do pouco ou muito da criança que ainda existe em nós. Que possamos em 2010 mantê-la viva, através de nossas posturas e condutas. Assim, sejamos menos preconceituosos e mais receptivos aos diferentes, menos consumistas e mais conscientes quanto ao nosso papel no planeta, menos donos de nossas verdades e mais abertos à novas idéias.

Hou Hou Hou.

Um Feliz Natal Inclusivo e um Ano Novo repleto de cidadania, saúde, amor e paz.

Até 2010!

Um papo com Dolores

Mineira de fala mansa, sotaque indiscutível e idéias consistentes, essa é uma daquelas pessoas que qualquer brasileiro, independente de sua classe social ou condição intelectual, conversaria à vontade, sem ver a hora passar. Conheci Dolores no Conselho Nacional de Assistência Social. Tomamos posse na mesma gestão e recentemente participamos de uma oficina que tratou da habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência durante a VII Conferência Nacional de Assistência Social.

O encontro foi muito rico e lá pudemos ouvir e falar sobre o assunto contemplando aspectos técnicos, políticos e legais. O que me chamou atenção, no entanto, foi o papo com Dolores.

De maneira simples e paradoxalmente profunda, ela falou da importância da criatividade e do olhar para o indivíduo como estratégias de oportunizar a cada um a conquista de sua autonomia total ou relativa.

Trouxe reflexões sobre a inclusão para além dos livros e dos discursos radicais daqueles que desconsideram a realidade. Tratou da inclusão possível, que toma cada vez mais corpo por meio da compreensão e da prática diária daqueles que tem aprendido a respeitar e conviver com a diferença. Assim fomos levados a pensar nos detalhes que provocam grandes transformações.

Pessoalmente saí dali com a certeza de que inclusão por “canetada” só provoca exclusão. Nosso desafio está em reconstruir concepções, desconstruir estereótipos e fazer bater mais forte os corações.

Uma vez li que tudo o que dizemos e escrevemos, toma corpo e nova identidade a partir do momento em que compartilhamos. Com certeza não consegui nesse pequeno artigo traduzir na totalidade ou com fidelidade tudo o que foi trabalhado por minha colega de conselho. Espero então poder ter transmitido a essência do momento. O papo agradável no lugar de discursos carregados de conceitos e verdades com aplicabilidade questionável; o encontro entre brasileiros e brasileiras que teve como produto a certeza de que o único caminho para a inclusão é a garantia de direitos, assegurada  por uma política pública consolidada e constantemente aprimorada pela participação cidadã.

Superar: um jeito novo de fazer!

O Rio de Janeiro nesses últimos dias viveu momentos mágicos de sua história no esporte: Flamengo campeão, Botafogo e Fluminense garantindo suas permanências na elite do futebol nacional e Vasco de volta, fizeram bater mais forte o coração do povo que receberá as Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016.

Mas a cidade não se contentou e foi além. Milhares de pessoas vibraram no Parque Aquático Julho Delamares acompanhando o I Mundial Paraolímpico de Piscina Curta. O evento organizado pelo Instituto Superar mostrou que mais que uma razão social, superar se tornou uma proposta de seu Presidente Marcos Malafaia e de toda a equipe envolvida no projeto.

Superar a expectativa do público, o preconceito e a desinformação de boa parte do mercado, as necessidades dos atletas, a partir de então mostrou-se algo possível. Quem esteve na competição viu um show dentro e fora das piscinas. Recordes dos atletas, torcida emocionada e ações de marketing por toda a parte, mostraram ao Brasil e ao mundo pela televisão, que o esporte paraolímpico pode sim ser um produto viável.

Terminada a competição, o Superar novamente nos surpreendeu. No último dia 07 de dezembro acompanhamos o lançamento do projeto do primeiro Centro de Treinamento Paraolímpico do País. O projeto em parceria com uma série de empresas, coloca na história do movimento paraolímpico brasileiro um novo momento. ”Não queremos ajuda e sim parceiros que vejam em nossas ações um produto que os permita agregar valor às suas marcas” A fala de Marcos Malafaia e o projeto por ele liderado, estabelecem uma  concepção, um jeito novo de fazer no esporte paraolímpico no país.

Dia oito de dezembro o Instituto Superar encerra o ano com o prêmio Brasil Paraolímpico. Estaremos lá acompanhando, e não tenho dúvidas de que mais uma vez, quem estiver lá, ou acompanhando pela TV terá a certeza ao fim do evento de que é sempre possível superar.