Novos trabalhadores

Quarenta minutos de espera. Não era novidade, pois já com catorze anos eu havia participado do processo seletivo para encartadores no Diário do Grande ABC, o que na ocasião havia me garantido o primeiro emprego. Por outro lado não deixava de ser um fato novo, afinal de contas era  a primeira entrevista que eu participaria em busca de um trabalho ligado a minha área de estudos.

No segundo ano de faculdade o que a gente mais quer é conseguir uma colocação relacionada ao curso. Assim, ali aguardando para a entrevista que poderia abrir essas portas, os então 47 minutos pareciam mais longos de todos os meus bem vividos vinte anos até aquela oportunidade.

Finalmente fui chamado, e ao cumprimentar a entrevistadora senti que não era só eu quem estava nervoso. Bem que haviam me dito, “você deveria ter avisado no currículo que era cego!”. Mas a vaga não era para cegos e sim auxiliares de vendas, entendi então que o dado cego nesse caso poderia se tratar de informação irrelevante.

Se era ou não, o fato é que a entrevistadora estava nitidamente surpresa. A voz tensa e as perguntas com tom de quem fala com um bebê de 8 meses me fizeram rapidamente perceber que os papéis estavam se invertendo. Fazia-se necessário uma atitude proativa de minha parte para que as coisas não se tornassem mais difíceis.

Tratei então de falar do assunto. “Como você deve ter percebido eu sou cego”. Essa foi a frase que serviu de alivio, e porque não dizer de libertação para a moça assustada. Com um largo sorriso ela respondeu: Verdade! E como você acha que pode trabalhar aqui?

Foi assim que uma conversa até então sem perguntas passou a se preencher de inúmeras respostas. Falamos sobre leitores de tela, de como um cego poderia interagir com o computador e da importância de recursos tecnológicos para o bom desempenho do profissional. Bem, não consegui a vaga, talvez porque não estivesse apto ou por falta de compreensão da organização quanto as possibilidades de contratação de uma pessoa com deficiência. Tenho certeza, porém, que não foi em virtude de qualquer tipo de veto por parte de Simone, a profissional que naquela ocasião me entrevistou.

Quase quinze anos depois, na condição de professor de gestão de pessoas, não tenho dúvidas que os paradigmas de recrutamento e seleção  têm passado por um profundo processo de reconstrução. Isso implica também, em um novo jeito de se apresentar para o mercado. Com deficiência ou não, o que as organizações buscam são profissionais comprometidos com o constante aperfeiçoamento. Assim, uma limitação se torna um detalhe, diante das tantas possibilidades de potencialidades a serem observadas.

No dia primeiro de maio, nós trabalhadores, teremos tempo para refletir. O que temos colocado em primeiro lugar quando pensamos quem contratar ou quando buscamos ser contratados? Sem preconceitos, nem amarras a grandes verdades, encontraremos neste dia, dentro de nós, um novo trabalhador pronto para interagir com as diferenças sem que isso lhe pareça uma novidade

Faxina virtual

Finalmente deu para começar a escrever. Foram minutos intermináveis limpando o lixo de promessas que vão de nome limpo independente da dívida, até potência e capacidade de atração sexual que chegam a tirar o fôlego até do Tiger Woods.

A cultura de conquistar clientes, por meio de propagandas até a exaustão, tão disseminada na TV, rádio e nos semáforos com panfletos entregues a quilo, também chegou à internet. Não bastasse entupir bueiros ou grudar em nossa mente sem pedir autorização, as propagandas indesejadas  tem transformado o ato de ler e-mails em uma faxina diária.

Não foram só os efeitos do neo-liberalismo  ou como diriam alguns  mais empolgados, a voracidade do capital  que produziu esse fenômeno. Também vem junto, a panfletagem religiosa, jurídica e político-ideológica.

Não tem anti-spam que dê conta de tanto bombardeio. Somos então compulsoriamente levados a exercitar nossa paciência em um ritual de desperdício de tempo que aos olhos de quem não sabe do que se trata, parece um novo hobby.

É cada vez mais claro, o fato de que necessitamos com urgência de ações que estimulem o exercício da cidadania online. Boas idéias se transformam muitas vezes em mais lixo eletrônico, pelo fato de não termos esse debate construído a partir de todas as suas variáveis.

Não são os grandes empresários e nem corporações poderosas que vão mudar esse cenário. Como tudo que acontece na internet, só teremos sucesso, se articularmos esse olhar com ações em rede.

Podemos então provocar essa revolução em um click, e algumas tecladinhas. Falando com amigos, escrevendo sobre o assunto, repassando e-mails com responsabilidade.

Espero então que em breve a faxina virtual de cada dia se transforme em coisa do passado, assim como aquele meu inesquecível 386, com quem aprendi a dar os primeiros passos nesse mundo virtual cada vez mais contaminado de realidade.

Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil!

Quem já ouviu Patrus Ananias falar, com certeza sente o coração bater mais forte quando houve esse trecho do hino nacional. O Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome transformou nosso hino em uma profissão de fé, e capitaneando uma equipe enxuta, porém determinada, provocou uma revolução silenciosa no país.

A verdadeira mãe gentil tem ouvido seus filhos, por meio de instâncias legítimas de participação popular e os tem feito verdadeiros cidadãos. Titulares de direitos e protagonistas na construção dos serviços, programas, projetos e benefícios a eles destinados, nós, filhos dessa pátria amada, vimos um ministro derrubar o muro que sempre separou desenvolvimento econômico e social.

Patrus mostrou ao Brasil que o bolo só cresce, à medida que todos os interessados participem batendo a massa.

A mãe orgulhosa por comprar um achocolatado para melhorar a merenda do filho, o pai que trouxe novas escovas de dente, não necessariamente são assalariados. A transferência de renda trouxe novos consumidores, que exercem a cidadania dando sua contribuição para o movimento e fortalecimento da economia.

Patrus sai do MDS deixando pilares sólidos que aproximam inclusão produtiva, assistência social e transferência de renda. Assim a pátria amada e mãe gentil pode se orgulhar de mostrar ao mundo seus filhos cada vez mais prósperos.

Ela sabe que seus filhos não fogem à luta, e que Patrus, filho apaixonado mineiro de nascimento e homem sem fronteiras por opção, lutará sempre, onde estiver, para que seus risonhos lindos campos tenham mais flores, alimentos, crianças na escola e trabalhadores dignamente alimentados. Para que seus bosques tenham mais vida e suas cidades mais cidadania, participação democrática e controle social.