Longe de casa a mais de uma semana

Tudo bem que não foi bem assim, já que na sexta à noite pude  chegar até em casa, porém não  resisti diante da possibilidade de me utilizar de um trechinho da música bem humorada da Blitz, que contou e cantou nos anos oitenta um pouco sobre o sumido Arlindo Orlando, para compartilhar com vocês  como foi minha última semana.. A idéia surgiu, em um momento em que eu pensava como dividir com aqueles que acompanham meu trabalho, a diversidade de coisas que temos discutido e construído. Mesmo com as redes sociais, e outros recursos interativos, o dinamismo das coisas e a equipe pequena não me permite fazer chegar a vocês, as informações da forma que eu gostaria. Arrumando as malas para voltar ao Brasil, vou tentar em pouco mais de 2000 toques contar como foram esses últimos sete dias.

Comecemos pelo dia 17. Saí por volta das 04:45h, rumo ao aeroporto, pauta do dia: Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência no Âmbito da Assistência Social. O debate aconteceu no CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social, e fez parte de uma série de encontros para definirmos o que cabe no âmbito dessa política pública, em relação ao nosso segmento.

Dia 18, já em Brasília, começamos cedo, minha missão foi coordenar pela manhã a reunião da Comissão Organizadora da VIII Conferência Nacional de Assistência Social. Uma horinha para comer um lanche, e a tarde reunião com a Comissão de Financiamento do CNAS, tarde fantástica onde pudemos trabalhar na perspectiva de uma capacitação dos conselheiros pela SOF – Secretaria de Orçamento Federal, o que qualificará muito o debate naquela instância.

Quarta feira, dia 19, começou a 194ª Reunião Ordinária do Conselho. Dia repleto de convidados e pautas importantes; pela manhã a Secretária Nacional de Assistência Social trouxe os informes de sua secretaria, e mostrou todos os esforços de sua equipe, diante do Plano Brasil Sem Miséria. À tarde, discutimos como o governo Brasileiro tem atuado na região de Autamira, fortemente afetada diante da construção da Usina de Belo Monte. Também recebemos o Conselho Federal de Psicologia e Serviço Social para falar sobre depoimento sem dano, assunto complexo, que refere-se a determinação    judicial para que esses profissionais participem de interrogatórios junto a crianças. Preciso ler mais para falar sobre o assunto, mas recomendo que vocês também pesquisem, pois a sociedade brasileira precisa dar sua contribuição.

Ainda no dia 19, no fim da noite embarquei para Minas Gerais, para participar da Conferência Estadual de Assistência Social. No dia seguinte, as 9 horas participei da mesa de abertura, e no fim do dia, as 21h, estive  em um debate  sobre o fortalecimento da participação popular e do controle social.

Dia 21, voltei a São Paulo e fiz uma fala no XII Congresso Nacional do Terceiro Setor, sobre o papel atual do CNAS. Em seguida fui para minha entidade, a AVAPE. Lá trabalhamos nos últimos detalhes do nosso Congresso Internacional, o IV que a organização promove, vale  a pena você  entrar no site e saber mais sobre: www.avape.org.br .

Finalmente fui pra casa, e encontrei meus amores, Andréia e Catarina. Brinquei um pouco com minha pequena e dormi, visto que 03:30h da manhã  segui para o aeroporto rumo a Guatemala. Depois de onze horas cheguei por aqui, e desde então estamos trabalhando na organização do Congresso Latino Americano de Cegos, e outras demandas de nossa União Latino-americana.

Quero dizer que tão prazeroso quanto contar essa história para vocês, foi viver e ter a clareza de que além de ter a oportunidade de fazer o que gosto, tenho trabalhado na perspectiva de um planeta cada vez mais inclusivo e repleto de cidadãos.

Apresento-lhes Dr. Gerivaldo

Sabe que de início pensei que poderia parecer um tanto pretensioso de minha parte me propor a apresentar tamanha autoridade? Horas depois, no entanto, navegando um pouco mais pelo blog indicado pelo amigo Célio lá de Floripa, não tive dúvidas, precisava compartilhar com vocês leitores essa mina de idéias  cidadãs, alimentada por um Dr. Porreta, juiz de direito  que também não conheço pessoalmente. O revolucionário Doutor, tecla de Conceição do Coité (BA), região sisaleira da Bahia (210 km de Salvador)  e tem por meio  de   crônicas, brincadeiras, eventos e sentenças, ressignificado o jeito de entender a justiça, as injustiças, e em boa medida a própria sociedade.

Não quero trazer aqui uma apresentação baseada em títulos acadêmicos, história de vida, ou em méritos profissionais. Prefiro por exemplo contar, sobre a sentença proferida pelo Dr., quando procurado por um carpinteiro desesperado diante de um celular que com pouco mais de dois meses de uso parou de funcionar. O desfecho não vale a pena contar, pois  seria como aquele cara chato que vai ao cinema, assiste e lhe recomenda um bom filme, mas logo em seguida também conta o final.

Posso sim, tratar da  forma com que o juiz trabalhou o documento foi uma sentença que considerou todos os aspectos, inclusive a necessidade de um texto preparado de tal jeito, que pudesse ser entendido por todas as partes envolvidas; loja, fabricante do aparelho e claro, o carpinteiro.

Também vale a pena falar do julgamento de lampião. O diálogo do real com a imaginação, a aula de direito misturada com a poesia, a viagem pela história somada ao diálogo com a justiça. Se lampião foi novamente condenado, ou agora absolvido pelo Dr. Juiz Blogueiro, também não conto., pois como já disse não sou estraga prazer.

Mobilizar a comunidade também é uma estratégia que nosso novo conhecido também gosta de se utilizar, como forma de provocar a construção de um Brasil mais cidadão. O fórum de Conceição de Coité é um espaço vivo que materializa esse empenho, e assistindo aos vídeos a  gente percebe uma relação reinventada entre as minorias sociais e os espaços públicos.

Artes, mobilização nas redes sociais e comunitária, bom humor, consciência crítica, e muito conhecimento legal, são alguns dos motivos que justificam uma visita no www.gerivaldoneiva.com

Para fechar, deixo uma contribuição de nossa constituição que está lá no blog: “É livre a manifestação do pensamento e da expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, sendo vedado o anonimato. (CF 88)” 

Futuros cidadãos.

O dia das crianças sempre traz para grande maioria das pessoas boas lembranças. É claro que isso não é regra, e existirá inevitavelmente aqueles que dirão, “isso é apenas comércio, mais uma armadilha perversa do impiedoso mercado”. Retóricas à parte, o fato é que, todos nós em algum momento já brincamos, e também já nos encantamos ao observar crianças sorrindo e se divertindo.

O Brasil há pouco mais de duas décadas aprovou a Lei 8069, o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, e deu um passo gigante no sentido de se consolidar enquanto modelo de país garantidor de direitos desse segmento. Infelizmente isso para muitos ainda soa estranho, isto porque ainda existem aqueles que confundem a missão de cuidar, com a possibilidade de ser dono. Desta forma acreditam ter a prerrogativa de  exercer poderes ilimitados, sobre os seus meninos e meninas. Exemplo disso pode ser verificado quando os próprios familiares muitas vezes acabam submetendo  crianças  ao trabalho infantil, privando do acesso à escola, subjugando com castigos corporais,  chegando ao absurdo de as expor  a abusos sexuais.

Contudo vez ou outra escutamos discursos conservadores, que insistem em   desconstruir o que por décadas, militantes de várias áreas do conhecimento e da política nacional conseguiram consolidar em nossa legislação. Quem já não ouviu alguém dizer “melhor do que estar na rua é trabalhar”. Essa tese, que a muitos parece simpática, desconsidera que o filho do rico nem trabalha nem está nas ruas. Também existem aqueles que afirmam com toda a convicção, “eu apanhei muito quando era criança e nem por isso  virei bandido”. Com isso tentam reafirmar o bater como parte do processo de educar, como se a humanidade não houvesse evoluído ao ponto de encontrar outras alternativas de “punição” para  travessuras, ou mesmo para mediação de  conflitos entre pais e filhos.

Penso que podemos ressignificar o dia 12 de outubro. O dia das crianças mais do que um momento de nostalgia, onde lembramos situações bacanas vividas em nossa infância, ou compramos presentes para alegrar  os pequenos que amamos, também pode ser uma data de reflexão e reivindicação. Uma data em que possamos nos mobilizar em nossas redes sociais, conversar com amigos, trocar e-mails, ler e escrever textos, que remetam a garantia de direitos a essa camada da sociedade que demanda carinho e proteção.

Pode ser clichê afirmar que são eles o futuro do país. Todavia é certo que serão! Logo precisamos cuidar com toda a responsabilidade e amor, fazendo com que o exercício da cidadania seja para as futuras gerações, algo tão comum, como as privações de direitos infelizmente foram para as gerações passadas.

Dos boatos aos bits e bytes

Se você não tem lá muita familiaridade com o mundo da informática já deve ter se perguntado, “o que são afinal esses tais de bits e bytes?”. Muitos outros já íntimos das novas tecnologias, também com certeza não devem ter muito claro o que de fato esses nominhos parecidos se propõem a batizar. Como aqui não se trata de uma coluna de informática, não serei eu quem lhe dará essa resposta com clareza. Posso porém dizer que é através da combinação de milhares de bits e bytes, que são armazenados e  disseminados dados e informações por toda a Internet. Assim, buscando me utilizar de uma linguagem figurativa, posso afirmar, serem  eles a matéria prima que nos permite  dar vida a tudo o que trabalhamos  no mundo digital.

Toda essa conversa inicial trata-se  de um bom aperitivo para discutir com vocês a democratização do fluxo de informações viabilizada pelas novas ferramentas pós-internet, e as infinitas possibilidades de  exercício de cidadania que podem ser pensadas a partir dessa oportunidade. Há pouco menos de duas décadas, fofocas, boatos e histórias mal contadas incomodavam aos envolvidos, dando um grande trabalho para que se pudesse  desconstruir tal “mal entendido”. O que dava mobilidade as informações eram as mídias escritas, faladas, televisivas, além é claro do  bom e sempre atual boca a boca. Isto significa que o fluxo de quase tudo o que se buscava comunicar em geral era de mão única, ou seja, alguém publicava, e tantos outros recebiam.

O momento atual, no entanto, trás como grande diferencial a via de mão dupla. Com o surgimento das redes sociais, e a popularização do acesso à Internet, a interatividade consolidou-se como maior característica desse novo mundo “real/virtual”.

Na prática isso significa dizer que tão poderosa quanto a estratégia de uma empresa alicerçada por milhões de investimento para divulgação de um produto, pode ser a mobilização em rede de milhares de clientes insatisfeitos. Manifestando-se pelo twitter, facebook, orkut, e tantos outros espaços, suas idéias ganham  força e  por muitas vezes acabam tomando uma proporção maior do que qualquer ação de marketing planejada. Vimos nos últimos anos  pequenos negócios, novos artistas, jovens escritores, conquistando  grande visibilidade, tendo por mola propulsora o reconhecimento de suas qualidades por internautas empenhados em compartilhar aquilo que gostaram. Também vimos grandes ditaduras, e marcas poderosas  sendo abaladas e até desconstruídas, pela insatisfação de milhões de pessoas que decidiram simplesmente dizer isso por meio de aplicativos simples instalados em seus celulares, notebooks e em seus computadores de casa e do trabalho.

As pessoas ainda não perceberam o quanto podem a  partir das redes  sociais. Muitas vezes se articulam de forma intuitiva e mesmo assim acabam atingindo enorme sucesso. Podemos sem dúvidas ir muito além,  potencializando nossas redes e planejando nossas ações. O  exercício da cidadania não se trata de algo pronto e acabado. Sempre podemos e devemos, encontrar novas formas de lutar por direitos e buscar maior equiparação de oportunidades.