Viver sem limite

Esse foi o nome dado ao Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiências, apresentado e sancionado pela presidenta Dilma no último dia dezessete de novembro em Brasília.

O plano configura-se em um marco na consolidação de políticas públicas para o nosso seguimento, visto que, nasceu a partir de uma iniciativa governamental.  Não tenho dúvidas de que essa conquista é fruto de décadas de luta de todo o movimento, todavia não podemos deixar de  destacar a postura ousada e  pró-ativa de nossa presidenta e seus ministros em se antecipar para apresentar um plano nacional voltado a atender as necessidades das pessoas com deficiência e suas famílias.

O plano divide-se em quatro grandes eixos, sendo eles:

– Acesso a educação;

– Atenção a saúde;

– Inclusão social;

– Acessibilidade.

Viver sem limite foi instituído por meio do Decreto 7612, e na mesma data a presidenta ainda assinou um conjunto de mais seis decretos que vêm dar materialidade as propostas trazidas pelo plano.

Além da pró-atividade governamental que já destaquei nesse texto, deve-se ressaltar a importância de ações voltadas a pessoas com deficiências, sendo trabalhadas com base em uma grande articulação inter-ministerial. O plano foi concebido desta forma e trás no decreto que o institui, a criação de dois comitês inter-ministeriais e um comitê gestor, também em linha com essa concepção.

São diretrizes do plano:

– Garantia de um sistema educacional inclusivo; garantia de que os equipamentos públicos de educação sejam acessíveis para as pessoas com deficiência, inclusive por meio de transporte adequado;

– ampliação da participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mediante sua capacitação e qualificação profissional;

ampliação do acesso das pessoas com deficiência às políticas de assistência social e de combate à extrema pobreza;

– prevenção das causas de deficiência;

– ampliação e qualificação da rede de atenção à saúde da pessoa com deficiência, em especial os serviços de habilitação e reabilitação;

– ampliação do acesso das pessoas com deficiência à habitação adaptável e com recursos de acessibilidade; e

– promoção do acesso, do desenvolvimento e da inovação em tecnologia assistiva.

Nas próximas semanas pretendo dialogar com as propostas e decretos, produtos do viver sem limite. Com isso espero poder contribuir para a difusão de informações, e claro provocar o debate a partir dos diversos segmentos aqui nos acompanham nesse espaço.

Você pode colaborar com a construção desse debate, encaminhando suas opiniões para proferrari@uol.com.br, ou postando em WWW.blogdoferrari.com.br. Troque idéias conosco também pelo facebook.com/professorferrari, ou pelo twitter @blogdoferrari.

 

Até a semana que vem.

Nosso próximo encontro

Não podemos negar que esse nosso namoro já é antigo. Parece que foi ontem que comecei a escrever por aqui e acreditem, mesmo hoje quando sento para produzir os textos que marcam nossos encontros semanais, me sinto como se estivesse fazendo isso pela primeira vez.

Fazer chegar a você uma nova informação, poder expor uma idéia para que possamos juntos construir novos saberes e opiniões, receber sugestões de assuntos e experiências de vida para  compartilhar nesse espaço. Assim tem sido nossa rotina semanal, que de rotina só tem de fato, a periodicidade de publicações. Nossos encontros têm sido marcados pela ousadia de uma nova pauta, ou pela persistência diante da defesa de uma bandeira antiga.

Hoje venho lhes convidar para celebrar um produto de tudo isso. Agendar nosso próximo encontro para comemorar um sonho realizado em virtude de eu ter ao longo dos anos podido contar com a contribuição de cada um de vocês leitores. Concretizado também, graças a confiança e a liberdade assegurada por esse espaço de imprensa que acreditou na possibilidade de termos uma coluna tratando de temas relacionados à inclusão, cidadania, enfim, da interação entre os múltiplos atores e grupos que fazem e compõem nossa sociedade. Convido você a conhecer o livro Visões – Para uma boa conversa sobre inclusão e cidadania, que lanço no próximo dia 28, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista. Nesta obra pude juntar muitos dos textos publicados por mim e discutido por nós ao longo dos últimos anos. Olhares sobre diversos assuntos que também receberam um outro ponto de vista, para além das idéias esculpidas com palavras. Os textos foram ilustrados pelo cartunista Juarez Correa, ganhando cores e uma boa pitada de irreverência.

Nossas visões a partir do dia 28 se materializam em uma obra simples de ler, porém profunda para se debater. O livro é uma publicação da Editora Scortecci e tem o apoio institucional da Federação Nacional das Avapes, Fenavape.

Espero te encontrar por lá. Poder agradecer pessoalmente, e trocar idéias sobre os textos publicados. Alguns receberam uma nova roupagem e com certeza serão motivos para boas horas de prosa, seja em sala de aula, no happ hour com os amigos, ou em seus encontros de negócios.

Visões é um presente que dou e recebo da sociedade. Digo isso pois nessa obra ofereço muitas de minhas histórias de vida, momentos de família, angústias e alegrias que me fizeram chegar até aqui. Nessa obra também resgato exemplos concretos de dificuldades e possibilidades da sociedade em que vivemos, cada vez mais consciente da importância de lidarmos com a diversidade. Os avanços e retrocessos vivenciados e relatados por mim, são constatações desse momento histórico, que nos permitem a partir de nossos olhares e debates, compreender e construir um novo capítulo de lutas e conquistas, tendo em nós cidadãos, os grandes protagonistas dessa caminhada..

Espero você, e mais uma vez obrigado!

Um voto pela absolvição

Em tempos de crise e, paradoxalmente, também de busca de países, empresas e pessoas pelo crescimento econômico, social e espiritual, pensar em parar é considerado quase que um pecado capital pela maioria da população.  Você já deve ter ouvido alguém ou  quem sabe ter feito parte do grande grupo que reclama e condena sumariamente os feriados. “No Brasil tem feriado demais, a economia precisando crescer e é só feriado, feriado e feriado.” Confesso, caros leitores, que certa vez até esse que vos escreve, em meio a um feriadão prolongado, também já reforçou este discurso aparentemente coerente e comprometido com a economia nacional.

 

Decidi, no entanto, declarar oficialmente neste espaço meu voto de absolvição destes dias sem trabalho. Não apenas quero votar como também defender essa possibilidade de celebrar determinadas datas, cumprindo o rito de parar para viver.

 

De início, é importante dizer que infelizmente nem todos param. Isso logo mostra que a economia respira e inspira sem aparelhos por esses dias. São hotéis lotados, aeroportos atendendo a uma demanda infinitamente maior do que a sua capacidade, bares e restaurantes com filas de espera, além de estradas e pedágios lotados fazendo com que milhões circulem pela economia, simplesmente por conta do ir e vir de pessoas.

 

Também merece destaque a relevância “psico-social” destes momentos, termo que coloco aqui entre aspas antes que alguém venha dizer que esta não é a forma correto, tendo em vista a teoria a, b, c ou d. Como é feriado também para as teorias, peço licença aos especialistas para refletir com vocês sobre os ganhos psicológicos e sociais que temos simplesmente pelo fato de podermos nestes momentos estar mais juntos. Reencontramos amigos, vivemos mais com a família, conversamos sobre assuntos não necessariamente importantes.

 

No feriado podemos conhecer aqueles desenhos que nossos filhos assistem no dia a dia e discutir com eles sobre os personagens de igual para igual, fazendo com que eles se sintam de fato parte da conversa. Podemos sim falar de trabalho com os amigos, tendo a liberdade de rir de nossas manias e loucuras, que nos fazem patéticos diante da inércia provocada pela nossa subserviência frente à rotina que, às vezes, aceitamos sem perceber.

 

Voto pelo feriado em nome do direito de convivermos sem compromissos formais. Pela possibilidade de conversarmos sem pautas pré-estabelecidas e recarregarmos as baterias físicas e intelectuais.

 

Feita minha defesa agora convido você a votar. Não é necessário urna eletrônica nem cédula pré-elaborada. Seu voto pode ser manifestado pelo discurso diante das oportunidades e através da postura. Digo isso, pois não basta ser favorável ou contra, creio que faz-se fundamental traduzirmos nossas convicções em atitudes!