Sustentabilidade 3Es

O Professor Ismael Rocha da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em fala recente no evento Mais Sustentável promovido pela Fenavape em parceria com o BID, trouxe para debate e reflexão dos participantes, os 3 Es da Sustentabilidade.

Uma palavra tão presente na vida das pessoas, cada vez mais toma sentido e se torna urgente, enquanto conceito a ser apropriado, pois impacta diretamente na   qualidade de vida das pessoas.

Costumo definir sustentabilidade como sendo a auto alimentação de qualquer que seja a situação, por parte daqueles que fazem parte. Parece complexo né? Pense em um casamento, ele só pode ser sustentável se as partes envolvidas cuidarem das relações, alimentarem o cotidiano e prevenirem as perdas e grandes desgastes.

Educar, entender e envolver. Esses 3 Es trazidos pelo Professor Dr. Ismael nos faz pensar, que para ser sustentável, faz-se necessário percorrer um caminho.

Entender, muitas vezes torna-se fundamental para que se possa chegar a um futuro  envolvimento. E para que se entenda, segundo ele, vem a necessidade de se educar.

Pensemos em situações do cotidiano em que poderíamos buscar a sustentabilidade. Nosso emprego, nossos amigos, nossa participação comunitária.

Talvez alguém venha a dizer: nossa olhando para os 3 Es, eu posso chegar a conclusão de que não quero que isso seja sustentável?

Pois aí, começamos a ver na prática a importância do conceito. Um planeta  sustentável, deve ser fruto da decisão das pessoas que nele vivem.

Sair do discurso, e passar a ser uma bandeira do dia a dia  de todos os cidadãos, será de fato o marco que dará ao conceito de sustentabilidade, uma vida sustentável enquanto ideia prevalente em toda a sociedade.

E então vamos começar a trabalhar os 3 Es. Experimente iniciar a escrever seu projeto de mundo sustentável. Seja o protagonista dessa transformação, começa por você.

Comer com os olhos

Dentre tantas outras expressões que acabamos por ouvir ao longo da vida, essa é uma daquelas que para mim nunca teve tanta importância, talvez pelo motivo óbvio de ser cego, mas também pela grande paixão que tenho pela gastronomia. Creio que mesmo enxergando, meu lado cinestésico, nesse sentido, sempre superaria o visual.

De toda forma, apaixonado que sou por observar o cotidiano, gosto por vezes de problematizar o simples aparente, para poder conversar botando uma pitada de complexidade em determinados detalhes desapercebidos. Que tal falarmos da alface? Tranquilize-se, pois não vou me atrever a transformar esse espaço em um cantinho de receitas culinárias. Apesar de gostar da coisa, só chego ali pelos lados da cozinha na condição de consumidor.

Há algum tempo levanto a questão para amigos, em meio a happy hours, ou mesmo naquele almoço curtinho que só dá tempo de petiscar: a estratégia de forrar um prato com folhas de alface para servir porções de qualquer coisa, que seja frita, faz com que alguém passe a querer comer aquilo com os olhos?

Se não for essa a justificativa, o desperdício da simpática verdura, ou melhor, o seu rebaixamento de alimento para artigo de decoração, é quase um “caso de polícia”. Um dia, perguntei a um garçom sobre o assunto, e o cara disse que imaginava que isso se tratava de uma estratégia para que as folhas absorvessem o óleo, deixando assim o prato mais “saudável”. O rapaz ainda complementou que, além de tudo, se tratava de algo ambientalmente correto, pois se ao invés da alface fosse utilizado algum tipo de papel com poder de absorção, muitas árvores sofreriam com tal opção.

Outras teses a respeito do tema remetem à possibilidade de uma estratégia de ocupação do prato, fazendo assim com que se tenha no todo menos conteúdo, o que aumentaria o lucro do restaurante ou lanchonete. Tem também aqueles que dizem que além de bonito, fica bom de comer, e não perdoam as folhinhas mesmo encharcadas de gordura.

O bom dessa conversa, no final das contas, é a oportunidade que temos de pensarmos o mundo a partir de diversos olhares. Comemos com os olhos, enxergamos com o coração; agimos com o fígado, falamos com as mãos. Somos múltiplos por essência, e únicos por vocação.

Temos, em qualquer que seja o assunto, um bom problema para discutir. Em qualquer que seja o prato, um sabor e um visual novo para descobrir. Enfim, temos na vida a chance enorme de viver, e devemos nos policiar constantemente para não esquecer disso.

O G7 e o Seminário Mais Sustentável

Caros leitores, como prometi há duas semanas, volto para celebrar com vocês as 43 medalhas conquistadas pelo Brasil nos Jogos Paralímpicos de Londres. Estamos dentre os sete países mais fortes do mundo, e isso traduz o sucesso dentro e fora dos espaços de competição.

Pela primeira vez nesse nosso encontro, venho tratar de dois assuntos em tese bastante distintos. Digo distintos, pois creio que acabam no fundo tendo uma profunda correlação. Além de comemorar e conversar sobre nossos feitos esportivos, quero convidar a todos a participar do Seminário Mais Sustentável. Trata-se de um evento promovido pela Federação Nacional das Avapes – Associação Para Valorização de Pessoas com Deficiências em parceria com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O evento que ocorrerá entre os dias 19 e 20 de setembro, tem uma proposta  inovadora e ousada. Lá se reunirão organizações não governamentais, empresas e gestores públicos, para discutir e propor estratégias de sustentabilidades para os serviços e projetos realizados na área social.

Como podem ver assim, como nossos atletas em Londres, por aqui a sociedade civil também está se unindo para superar a crise, e a constante preponderância da pauta econômica.

Em Londres foram 21 medalhas de ouro, 14 de prata e 8 de bronze. Lá no auditório da Microsoft espero que saiamos também vencedores na construção de parcerias estratégicas e propostas inovadoras

Até lá tem choradeira

 

Nessa semana pudemos celebrar a vitória do brasileiro Alan Fonteles, em cima do fenômeno sul-africano Oscar Pistorius, que marcou sua história por, há poucos dias, ter disputado também uma Olimpíada, mesmo tendo que correr com duas próteses.

O cara não poderia chegar então nas Paralimpíadas com um cartão de visita melhor. Contudo, nosso alagoano acabou com a festa do rapaz, com direito à quebra de recorde mundial e muita comemoração.

O tempero disso tudo foi a choradeira do sul-africano. Ontem, passeando pelo Twitter, li um post de Benjamin Back, conhecido jornalista esportivo aqui de São Paulo, comemorando a vitória de Alan e dizendo: “Até lá tem choradeira”.

Olha que gancho bacana para quem quer falar sobre inclusão! Já que ele cruzou a bola, deixa eu tentar bater pro gol. Claro que lá tem choradeira, Pistorius ficou enfurecido com a derrota, e saiu reclamando aos quatro cantos que a prótese de nosso campeão era maior e isso fazia com que ele conseguisse dar passadas mais largas. O Comitê Paralímpico Internacional rapidamente demostrou que era puro blablablá. O brasileiro teve que dar mais passos para chegar à frente do grande Pistorius, que mais tarde reconheceu a vitória de nosso garoto de ouro.

Final feliz por lá, voltemos aqui a nossa conversa sobre o post do grande Benja. Com a brincadeira, ele me permitiu reafirmar o óbvio neste texto, porém importante de ser lembrado, visto que por muitas vezes acaba sendo esquecido pela maioria da população. As pessoas com deficiência, acima de tudo são pessoas. Boas ou más, com caráter ou não, felizes e infelizes, ricas e pobres, saudáveis e doentes.

Em outra Paralimpíada, lembro-me que houve um problema de dopping. Triste para os apaixonados por esportes como eu, mas duro mesmo foi ouvir de alguns que isso era um absurdo, porque de lá que deveria vir o exemplo. Loucura, não acham? Na era do conhecimento e da informação, não dá para a sociedade reduzir seu olhar para mais de 24% da população brasileira, considerando apenas duas possibilidades:

1 – Dignos de pena, favor e cuidados;

2 – Merecedores de admiração, reverência e idolatria.

É claro que  tem gente com deficiência que realmente dá dó. Já outros, anônimos ou não, merecem ser reconhecidos como grandes ídolos nacionais! A maioria, no entanto, é como tantos outros milhões de brasileiros, e vamos combinar que isso, por si só, já é coisa pra caramba.