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carnaval_2014

Apaixonado como sou por brincar com palavras, não perderia por nada a oportunidade de fazer esse trocadilho entre o domínio que nomeia meu blog, e a ideia, de um possível ou improvável bloco do Ferrari.

Acho que se ele fosse para as ruas, sem qualquer falsa modéstia iria arrastar multidões, afinal de contas; nosso tema do ano seria sedutor. Vejam o que acham: fujam dos  gráficos deprimentes  e venham para as  ruas para sambar literalmente.

Com tanta informação e constatações terríveis de anos anteriores, não dá para sambar entre aspas, pegando a direção de um veículo qualquer que seja,  depois de  beber tudo o que se tenha  de álcool por perto. Notem que mais do que engrossar a máxima politicamente correta  do se beber não dirija, penso que o papo neste  carnaval já pode seguir na linha do “vou beber, então a solução será” – vejam que a proposta é planejar agora, para relaxar nos quatro dias que se seguem.

E as camisinhas?

Recebemos aqui no Conselho Nacional de Saúde um material muito bacana elaborado pelos colegas de colegiado, lá  da Força Sindical.  Assim como eles, muitas outras organizações da sociedade civil se somam a esforços desenvolvidos pelas três esferas governamentais, no sentido de conscientizar as pessoas, com vistas a  se prevenir à gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis.

Com tudo isso, vejo muita gente que pede para dançar, no sentido mais negativo que esta “gíria” pode ilustrar. Desculpas e motivos vários se repetem claramente sem sentido  ano a ano, transformando momentos de alegria e prazer vividos sem responsabilidade, em estatísticas que nos assombram e transformam vidas muitas vezes com danos irreversíveis.

Acredito que uma mudança de postura se dá antes que a folia comece. Você que agora lê, curte, compartilha ou comenta esse texto, quer correr riscos, ou vai  de fato viver o carnaval de forma plena sem deixar que a inconsequência pontual, lhe possa depois te trazer cinzas para a vida toda.

Esse texto de última hora, já cheio de confetes e serpentinas, tem o singelo  propósito de lhe provocar. Todos nós temos responsabilidade para  com uma postura comprometida com a prevenção, na medida em que somos detentores do conhecimento de eventuais ganhos e perdas para nossa sociedade como um todo.

As massas de modelar e os quebra-cabeças…

Ontem à noite, observando minha filha brincar no chão em meio a um monte de pequenos pedaços / peças de papelão, pus-me a pensar sobre a satisfação quase inconsciente que nós,   seres humanos, temos diante da possibilidade de desconstruir para, logo em seguida, exercitarmos uma deliciosa capacidade de encontrar o caminho antes já feito. Prova disso são as palavras cruzadas, as apaixonantes maquetes de carros e aviões, e até os milenares tangrans chineses.

Minha princesinha, ainda com pouco mais de três anos, não estava naquele momento nada preocupada em encontrar a lógica que daria uma determinada forma aquelas simpáticas pequenas partes. O objetivo era simplesmente brincar, ou seja, juntar as peças formando o aleatório, criando, e por vezes, até dando um sentido para ela bastante claro às suas próprias  construções. A propósito, na mesma perspectiva, minha menina adora passar o tempo se divertindo com as coloridas e flexíveis massas de modelar.

Acredito que isso reflete outra paixão humana, que também segue para vida toda, ou seja, criar a partir do improvável, do zero, quase do nada. Vejam só o sucesso do Lego e do Minecraft na Internet.

Constatamos então, um pouco por observação, mas principalmente por experiência própria, que à medida que crescemos vamos enxergando e buscando dar sentido às partes dos jogos de montar, e claro, refinando nossa criatividade diante das possibilidades desafiadoras e infinitas proporcionadas pelas velhas massinhas, que assim como os quebra-cabeças sobreviveram a tantas gerações.

Passam os anos e nos tornamos adultos. Logo, o cotidiano, repleto de tarefas, agendas e imprevistos, despeja em nossas vidas milhares de pedaços de fatos e fotos. Agora pensem: podemos decidir diante de tudo isso por buscar incessantemente pela resposta (verdade), que dará sentido a todas as partes, ou por outro lado, encararmos tais fragmentos como simples peças aleatórias de um passado e do presente, que quem sabe nos darão a condição de projetar um  futuro.

Pessoalmente, gosto demais de massas e quebra-cabeças. Logo, acredito ser um privilégio pensar que podemos, ao longo da vida, em alguns momentos, optar por tentar encaixar as partes, ou em outros concluir que caberá a nós darmos sentido a elas.

Gosto muito do trecho da música dos Titãs, que nos alerta “as idéias estão no chão, você tropeça e acha a solução”.

Para quem não se lembra ou não conhece, o título dessa canção é “A melhor forma”. Pois então, qual será a melhor forma que temos dado para os tantos pedaços de vida com os quais nos deparamos ou até “tropeçamos” pelo caminho?

Nossas Escolhas

A condição humana é, sem dúvida, o diferencial substantivo que nos eleva ao status de seres “racionais”, portanto, com características próprias, dentre as quais se destaca a celebrada habilidade de fazer escolhas. Dialeticamente, tal capacidade é a responsável principal por colocar nossa “ïnvejável” racionalidade entre aspas, talvez porque os velhos instintos primitivos falem mais alto quando nos vemos contrariados diante de tomadas de decisões que se opõem às nossas crenças, valores e costumes.

Assim, nossa espécie avança com discursos consistentes, que ressaltam postulados inquestionáveis como o direito à liberdade, o respeito às diferenças e à solidariedade entre os povos. Com a mesma intensidade, testemunhamos, em muitas ocasiões, membros de nossa raça rotularem com uma fúria incontida seus semelhantes como ridículos e outras dezenas de    adjetivos raivosos, algumas vezes por conta da forma de se vestir, em outros casos em virtude de suas escolhas musicais, literárias, políticas, religiosas, enfim, diferentes.

Pessoalmente me sinto à vontade para escrever sobre tal fenômeno, visto que, mesmo abordando a temática na terceira pessoa, tenho a clareza que em muitos momentos, conscientemente ou não, já fui vítima ou causador, de “micro julgamentos” injustificáveis, se levarmos em consideração o fato concreto de que não existe nada que nos assegure a condição superior de condenar a escolha de outra pessoa. Podemos sim, lamentar, debater e até  questionar, como da mesma forma devemos, por coerência com nossas decisões, respeitar as dos outros.

No último fim de semana protagonizei uma escolha daquelas que acabam por ser metralhadas de adjetivos favoráveis e principalmente contrários. Saí do trabalho, e junto com um primo, tomei um ônibus rumo ao Rio de Janeiro para acompanhar a inauguração da loja da Apple. Cheguei lá por volta das sete da manhã, e com satisfação já encontrei uma bela fila, formada de pessoas que foram até ali para se encontrar, trocar ideias e reverenciar o trabalho de uma organização que, para os que estavam ali, se caracterizava como referencial de excelência.

A patrulha furiosa dos contrários se deu das mais variadas formas. Tinha a turma que dizia: “são um bando de alienados, cultuando um templo do capitalismo”. Outros afirmavam que ali estavam pessoas que queriam se mostrar, mesmo sabendo que não havia nenhum lançamento de produto ou promoção que merecesse tal mobilização.

Decidi escrever este artigo para convidá-los a refletir sobre o óbvio incontestável de que as escolhas são nossas. Fui até a loja da Apple, pois me sinto respeitado por ela. Isto ocorre seja quando verifico que todos os seus produtos são pensados com recursos de acessibilidade, seja nos momentos em que demando por serviços online ou presenciais. Acho que errei na escolha, pois deveria ter ido para passar a noite e curtir com mais tempo os momentos que antecederam a abertura da loja. A fila foi um grande barato, com direito a lanches de qualidade, sucos variados servidos à vontade e uma grande festa que marcou a integração das mais de duas mil pessoas presentes com os colaboradores da empresa.

Decidi privilegiar o evento de uma empresa que optou por atender a todos os públicos, independente de suas limitações físicas, intelectuais ou sensoriais. Creio que essa e qualquer outra decisão mereça ser respeitada, mesmo também tendo claro que possam existir boas críticas e questionamentos. Ao fim das contas, creio que com o que não podemos concordar são   aquelas escolhas que venham por em risco a integridade física, mental ou moral de quem quer que seja.

Cheiro de farmácia.

Foi curioso…Paguei o xampu e a senhora do caixa logo perguntou: Como você sabia que aqui era aqui?. Achei a pergunta engraçada, porém desafiadora… Imaginem só, falar rapidamente sobre técnicas de locomoção e orientação, sem parecer professoral, nem tão pouco simplista.

Expliquei que o cheiro acaba sendo um bom referencial. Aliás, um tanto quanto óbvio, pois farmácias têm cheiro de farmácias, porém quantas pessoas se atentam a isso?

Ter uma limitação faz com que desenvolvamos mecanismos que otimizem as demais ferramentas que percebemos  disponíveis. Com isso, não dá para afirmar que um cego tem, por exemplo, um super olfato, ou uma mega audição, mas sim que pode utilizar esses recursos de forma muito mais intensa e porque não dizer, criativa.

Quando caminho com minha bengala, informações auditivas, táteis e olfativas são fundamentais para que eu possa conhecer, e criar identidade com o local.

É exatamente como faz alguém que enxerga, a diferença acaba ficando por conta da escolha dos referenciais.

Com o advento de novas tecnologias, é importante dizer que a autonomia de uma pessoa cega passa também pelo domínio dessas possibilidades. Um smartphone com alguns aplicativos permite, dentre outras coisas, que possamos identificar cores, notas de dinheiro, marcas de produtos, e até lugares. Atualmente, existe um aplicativo, chamado Blindsquare, que permite a uma pessoa cega etiquetar os lugares que passou, ou que precisará ir, e que possam ser normalmente de difícil localização.

Imaginem por exemplo um quiosque em um calçadão de praia. Caso uma pessoa cega esteja caminhando com sua bengala, do outro lado da via, e chegue ao ponto da travessia, exatamente onde se localiza seu quiosque predileto, talvez não o encontre tão facilmente.

Mas caso tenha anteriormente etiquetado esse local determinado no aplicativo, o celular poderá avisar que chegou ao ponto desejado e que basta atravessar a rua.

Mas, mesmo muito antes das tecnologias já vínhamos desenvolvendo habilidades para compensar ou equilibrar a falta de visão ou outras deficiências. Imaginem por exemplo, como faria um professor de geometria para mostrar a uma criança cega um determinado gráfico sem grandes recursos.

Pessoalmente, já vivenciei muito essa situação, e bastava uma tela daquelas de inibir a entrada de mosquitos, colada a uma prancheta, para permitir que o professor pudesse dar vida tátil a seus traçados com uma caneta ou lápis, em uma folha de papel apoiada nesta superfície.

Compartilhar neste artigo, algumas das infinitas possibilidades que nós, cegos encontramos diante das limitações, mais do que cumprir o propósito de informar, significa trazer a ideia de que a superação acontece a partir do momento em que acreditamos, e passamos a buscar e construir alternativas.

Continuando a conversa…

Felizmente os espaços para conferências, como as da Saúde, Assistência Social, dentre outras, são cada vez mais ricos em participação, assim como também se mostram férteis em desdobramentos de articulações de segmentos nacionais e regionais, que aproveitam esses momentos para identificar pautas conjuntas, alinhar discursos, e elaborar estratégias para conquistas futuras.

Nesta perspectiva, tivemos ótimos encaminhamentos dentre os quais destaco a ótima reunião promovida pela Pia Sociedade São Paulo e o Fórum Nacional de Assistência Social. Estiveram nesse dia grandes entidades nacionais como Febraeda – Federação Brasileira de Associações Socioeducacionais de Adolescentes, ONCB – Organização Nacional de Cegos do Brasil, Associação Antônio Vieira, FENATIBREF – Federação Nacional dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas, FEB – Federação Espírita Brasileira e outras.

Foi consenso naquele momento promover um grande encontro nacional para se debater o trabalho de assessoramento e defesa de direitos no âmbito da política pública de Assistência. Para continuar esta conversa será promovido nos próximos dias 11 e 12 de fevereiro, o I Encontro Nacional de Nivelamento Conceitual do Assessoramento e Garantia de Direitos na Política de Assistência Social. O evento terá por objetivos: subsidiar as entidades com atuação na área para compreensão histórica; construir uma definição comum e estratégias de aprimoramento do assessoramento e defesa dos direitos da assistência social e fortalecer a identidade das entidades que atuam no assessoramento, defesa e garantia de direitos no campo da assistência social.

Tal encontro, que será realizado pela PAULUS, entidade socioassistencial sediada no Estado de São Paulo, em parceria com outras entidades com atuação similar, ocorrerá na sede da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação.

As inscrições, programação e mais detalhes, você encontrará no portal: www.fapcom.edu.br/extensao-cat/extensao-comunitaria.  As vagas são limitadas!