Nem bom, nem mau, porém profundamente necessário

Marco-civil-Internet

Você deve, em algum momento, ter ouvido falar ou quem sabe até está dentre aqueles que acompanham a cada passo o andamento da proposta de Marco Civil da Internet dentro do Congresso Nacional. Escrevo esta coluna no dia 25 de março de 2014. Logo, pode ser que no momento em que você esteja lendo o meu texto, já tenha havido uma votação por lá.

Independente do trâmite no legislativo, penso que nós, cidadãos, podemos avançar no debate, buscando visualizar qual o impacto dessa nova legislação ou da ausência de uma regulação deste porte em nossas vidas.

Não sou um especialista em tecnologia, porém estou convicto que é por meio das novas variantes provocadas por  nossa inserção no mundo virtual que poderemos ganhar e/ou perder nas condições do atual estágio civilizatório, em âmbito global e local.

Se falarmos de civilidade, nada mais lógico que um marco normativo, que demarque as relações entre pessoas e organizações, principalmente considerando os interesses crescentes e os riscos evidentes de uma ausência total de normas e dos estados nação, em uma perspectiva clara, de garantia de direitos e proteção de seus cidadãos.

Antes de continuar, quero recomendar que ouçam dois episódios do podcast CocaTech que foram ao ar no último dia 24. Daqui em diante, vou tentar traduzir os principais pontos que me chamaram a atenção, e que particularmente nos interessam, pois obviamente é bom lembrar que este é um espaço que nasceu para que possamos conversar sobre inclusão e cidadania.

Seguindo nesta linha, é importante sabermos que o marco civil nasceu de uma construção democrática e participativa. Inúmeros segmentos sociais apresentaram contribuições e o documento tomou corpo, com um viés alicerçado na ideia de garantia de direitos. Assim, com a aprovação desta lei, a Internet passa a ser reconhecida pelo estado brasileiro como um direito de todos. A privacidade e a liberdade de expressão também são outros dois direitos consagrados no mundo real, que agora tenta-se com tal proposta também consolidar e afiançar como seguranças no mundo virtual.

Mas você pode estar pensando, como uma possível quebra de privacidade poderia vir a afetar minha vida ou mesmo a de meu país. Partindo só deste questionamento, a conversa toma rumos bem maiores, e recorro aqui a dois exemplos apresentados pelo Prof. Pablo Cerdeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, entrevistado no podcast mencionado acima. Disse ele: “imaginem só, um político com grande poder de decisão, prestes a se posicionar, com vistas a melhorar a qualidade de vida do povo mesmo afetando grandes interesses econômicos”. Um dia antes de seu pronunciamento, nosso personagem poderoso, recebe um envelope fechado com conversas pouco corretas realizadas por ele; “daquelas que alguém pode vir a ter com outro alguém, dento de uma rede social e fora do casamento”. Parece teoria da conspiração, não é? Porém, lembrem-se não estamos falando nada diferente do que aconteceria em uma guerra de interesses aquecida no mundo real.

Outro exemplo interessante: lembram-se daqueles dispositivos como pulseiras, relógios, que utilizamos conectados aos nossos Smartphones? Pois bem, eles estão cada dia mais modernos e podem colher informações detalhadas de nosso estado de saúde. Será que, com tais dados, os planos que vendem serviços nessa área, nos tratariam da mesma forma?

Vou terminando por hoje, dizendo que não me coloco como um defensor intransigente da aprovação do Marco Civil. Digo isso, pois também temos problemas pelo caminho, e sobre eles conversaremos na próxima semana.

Até lá!

Loki

loki

Loki o imperdível documentário sobre a vida de Arnaldo Baptista 

Você gosta de Rock ou MPB ou talvez de conhecer momentos importantes da história do Brasil. Se a resposta foi sim para uma das possibilidades, ou quem sabe até, um sinal de positivo  para todas elas, lhes afirmo que é indispensável assistir o documentário: Loki Arnaldo Baptista.

Trata-se de material muito bem produzido, que nos apresenta a história de vida de Arnaldo Baptista, um dos fundadores dos Multantes, banda de rock, que marcou a história de toda a música brasileira.

Se você  ainda não ligou o nome as músicas, é só lembrar da voz doce e forte de Rita Lee, cantando Ando meio desligado, ou mesmo de todos os membros juntos dizendo que Louco é quem me diz, que não é feliz.

Independente, das boas músicas e da história fantástica cheia de reviravoltas, do principal protagonista, o vídeo acaba trazendo uma série de histórias maravilhosas que marcaram a vida cultural do Brasil nas décadas de sessenta e setenta.

Caso você tenha Netflix, dá para encontrar o vídeo por lá, e se quiser permanecer no sofá, também recomendo o primeiro de uma trilogia de documentários disponibilizados por lá, que tratam da história e obra de Rita Lee.

Vale a pena lembrar que se você ainda não tem assinatura do Netflix, dá para entrar e assistir por um mês grátis. Então não dá para perder.

Grande  fim de semana com Rock and roll nacional de primeira qualidade!

Eu e a Avape

mãosApós refletir por algumas semanas, creio que seria injusto comigo mesmo não vir a público enquanto cidadão para prestar alguns esclarecimentos a tantos que me acompanham em diferentes espaços físicos e virtuais.

Objetivamente, estou me referindo à decisão de compartilhar algumas situações vivenciadas por mim, na condição de presidente da Avape, Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência.

Cabe dizer que estou neste cargo aproximadamente há dez meses, e foi a partir de então que pude, de fato, conhecer a fundo e interferir ativamente nos processos de gestão da organização.

Antes de continuar, creio ser necessário contar um pouco sobre como se deu minha condução à presidência da Avape. Foi um momento delicado; os membros do Conselho Deliberativo e Fiscal se sentiam sem informações claras, e vivenciavam um momento de crise política sem precedentes, inclusive tendo por consequência um pedido formal de recuperação judicial por parte daqueles que conduziam a organização até então.

Muitos amigos próximos me questionam, “mas então porque você assumiu um problema de tamanho e características tão complexas?”. Penso eu que a resposta é simples para não dizer óbvia.

Tratava-se de uma história com mais de trinta anos de serviços de qualidade pensados e prestados por e para pessoas com deficiência.

Somado a isso, a minha identificação com o protagonismo dessa missão não me deixava outra alternativa que não fosse assumir e compreender de fato o que havia acontecido para tamanho descompasso, e buscar soluções.

Já na primeira semana de trabalho à frente da presidência, procurei construir uma estratégia consistente de diálogo com todos nossos interlocutores, ou seja, colaboradores, fornecedores, parceiros, usuários e familiares.

Apresentamos três grandes objetivos que norteariam nosso trabalho a partir de então:

I – Reordenamento de todas as ações com foco na missão;

II – Resgate de nossa imagem institucional;

III – Gestão focada na busca do equilíbrio financeiro.

Constituímos um comitê de gestão compartilhada, empoderamos pessoas e aos poucos caminhamos para adequação de nosso quadro de colaboradores aos novos tempos que se avizinhavam.

Atualmente vivemos as consequências de erros do passado, acúmulo de recebíveis em atraso e um grande desequilíbrio de nosso fluxo de caixa. Tenho clareza que devemos continuar tomando todas as medidas necessárias para modernizar nossa gestão, e tornar ainda mais qualificados tantos serviços de excelência que vimos prestando.

Hoje a Avape tem salários, benefícios e pagamentos de fornecedores em atraso. Por outro lado, existem valores a receber, que somados a todas as medidas que vem sendo tomadas, trarão à Organização tranquilidade para vencer os grandes desafios históricos.

Por isso, quando decido tornar público os problemas e possibilidades que visualizo como presidente da entidade, penso que na verdade estou dando sequência a uma proposta de trabalho que tem se pautado pela transparência, e pela busca de novos atores que queiram e possam contribuir para que nossa organização supere seus desafios.

Diante disso, é bastante desconfortável ouvir, por exemplo, um parceiro – que deve mais de um milhão de reais para a instituição – fazer ameaças do tipo: “vou destruir a organização caso não sejam pagos os salários e benefícios dos colaboradores de meu contrato” enquanto tantos outros trabalham em prol de uma mesma causa da pessoa com deficiência.

Sei que a Avape é grande, e felizmente tem mais gente remando a favor do que contra. Agradeço a dedicação de colaboradores, ex-funcionários, fornecedores, e tantos outros interlocutores que tem contribuído neste momento e aproveito para reforçar o pedido de apoio de todos os protagonistas que, conhecendo o histórico da Avape, entendem que se trata muito mais do que o futuro de uma organização, mas o futuro de milhões de pessoas com deficiência que continuarão sendo beneficiadas. A Avape é de todos nós e tenho convicção de que faremos muitas coisas juntos em prol do nosso segmento.

Podcasts

podcast

Ouvindo podcast nesta semana quero compartilhar com vocês, um pouco de minhas impressões enquanto recém adepto de podcast. Me considero um neófito nesta área, visto que creio que tem pouco mais de um ano que verdadeiramente adquiri o hábito de pesquisar, assinar e reservar momentos de minha rotina para acompanhar tais conteúdos.

Para quem ainda não sabe o que é podcast, deixo aqui uma definição rasa, porém creio que eficiente. Tratam-se de programas de áudio disponibilizados na internet, que podem ser baixados a qualquer momento e ouvidos de acordo com a disponibilidade de seus públicos.

A grande novidade desse tipo de mídia, é o fato de podermos assinar um feed, o que nos permiti ser informados sempre que se tenha um programa novo, ficando a nosso critério baixar de imediato ou ouvir depois.

Para quem tem smartphones, existem dezenas de apps, que facilitam todo o processo para quem quer começar. Além de se tratar de uma nova possibilidade para momentos de lazer, os podcast, são excelentes fontes de informação, visto que acabam em muitos casos trazendo assuntos específicos.

Vamos a lista de meus prediletos

  1. Nerdcast: Este é um dos primeiros podcasts do Brasil. Os caras tem mais de um milhão de assinantes, e trazem todas as sextas feiras assuntos diversos de forma descontraída e com especialistas sobre os assuntos.
  2. Braincast: Trata-se do podcast do portal b9. Eles falam de cinema, artes, games, e tudo que se refere ao mundo criativo. Todas as terças tem conteúdo novo.
  3. Café Brasil: Esse também é um podcast antigo, está desde 2005 no ar. É apresentado pelo Jornalista Luciano Pires, aquele que tem trabalhado para despocotização do Brasil, é bem bacana, e todas as quartas tem conteúdo novo.

Caso gostem, voltem aqui no blog e comentem.

Boa semana.a todos!

Moisés e Melissa

moises e melissaDiferente de Eduardo e Mônica, da canção de Legião Urbana, no caso deste casal “nossa amizade dá saudade não apenas no verão”, mas em todas as estações do ano. Contudo, ainda falando da música, os dois são sim um pouco diferentes, vejamos: ele é de Porto Alegre, ela é de Salvador, ele é Advogado, ela é Socióloga, ele é ativista político internacional do movimento de pessoas com deficiência, ela é escritora e acadêmica da área de empregabilidade, mas espera aí, os dois são cegos! E daí?

Sem qualquer sensacionalismo, tal característica incomum, ainda, infelizmente surpreende a sociedade em geral, principalmente quando precedida de histórias tão recheadas de sucesso, que em breve ganharão novos e melhores contornos, graças ao amor entre os dois e a decisão concreta de serem os verdadeiros protagonistas de suas próprias vidas.

Escrevo hoje sobre duas referências do movimento de pessoas com deficiência que casam no próximo sábado. Melhor dizendo, trago aqui a linda história de dois amigos que, nesta semana será coroada com um belo novo capítulo que promete. Decidi tratar deste acontecimento, primeiro para homenagear e dar minha humilde contribuição para que essa conquista do casal seja reverenciada. Segundo porque, penso que Moisés e Melissa, assim como muitos outros casais “diferentes”, por meio desta união no civil e no religioso, reafirmam uma postura de autonomia e de independência que felizmente cada vez mais povoam as diferentes camadas dessa nova sociedade, que não tenho dúvidas que somos nós os responsáveis pela concretização de um futuro que lembrem, propagamos em nossos discursos do presente.

Lá em casa, quando recebemos o convite do casamento, nos encantamos com a beleza e o cuidado dispensado pelos noivos. Minha esposa adorou as cores, as letras e o tipo do papel. Eu pessoalmente achei de extremo bom gosto as duas letras M em relevo, assegurando um signo tátil para aquele chamamento para a celebração. Já fiquei sabendo que a cerimônia contará com audiodescrição, então imaginem nós, dezenas de convidados, cegos ou não, podendo conversar sem qualquer tipo de barreira ou limitação sobre o elegante vestido da noiva ou quem sabe até falando mal da grande barriga do futuro marido. Brincadeiras à parte, tenho certeza que o amor deste casal aquecido pelo vinho e o sol do nordeste e do sul do Brasil se fortalece a cada segundo, com as bênçãos e bons fluidos dos “deuses” da inclusão e da dignidade humana e claro, por todas as boas energias enviadas de todos nós amigos e familiares.

Parabéns aos noivos, amor e união sempre.

1q84

capa do livro 1q84

capa do livro 1q84

Só pelo título essa trilogia já merece aplausos. Creio que você concordará comigo quando mergulhar na leitura e descobrir o motivo em meio ao andamento da trama. O autor é Haruki Murakami, um escritor japonês consagrado não só por lá, visto que este romance fez com que  ele se tornasse mundialmente conhecido. A estrutura do texto te prende do início ao fim dos três livros, visto que se dá por meio de duas histórias em paralelo. Ambas tratam do cotidiano conturbado de dois personagens. A primeira, uma professora de educação física que acaba se tornando uma assassina profissional com métodos bastante próprios. O segundo um professor de matemática com habilidades de escritor, que acaba se envolvendo em um enrosco que nos desafia o tempo todo a imaginar seus possíveis desdobramentos. Junto com o romance o autor nos apresenta o Japão dos anos 80, e nos desafia a refletir sobre o impacto de determinados contextos religiosos e históricos na formação de futuros caráteres humanos. A leitura é leve e pode até parecer despretensiosa, porém caso você queira , dá para se aprofundar em  múltiplas  camadas, tornando a viagem pelas páginas  um pouco mais  demorada, contudo, claro, infinitamente melhor e mais prazerosa. Comprei os três livros em formato digital na Ibooks Store por US$ 29,00 (podem ser vendidos separadamente). Também poderá encontrá-los na Amazon e em formato físico em todas as livrarias. Boa leitura!

Rumo aos quarenta

imagens-de-feliz-aniversario-bolo-38Esta é a segunda coluna que escrevo às vésperas do dia que celebro meu aniversário. A primeira foi há três anos, e eu então estava chegando aos trinta e cinco. Relendo o texto, senti-me novamente motivado a dialogar e compartilhar um pouco de minha história.

Com isso, acreditem, não pretendo personificar a conversa, mas sim fazer um bate-papo despretensioso, como tantos outros que, próximo de completar quatro décadas, todos acabam sendo testemunhas de uma das maiores revoluções já vivenciadas em toda a história da humanidade.

Os três anos de hiato entre minhas duas colunas já dariam assunto para um número talvez dez ou vinte vezes maiores de toques, do que os que semanalmente recorro para escrever em nosso espaço de troca de ideias.

Destaco, dentre tantas microrevoluções, a conexão móvel que passou de vez a fazer parte da vida das pessoas. Quem já não se surpreendeu a ver, por exemplo, um ambulante vendendo guloseimas na praia e aceitando como meios para pagamento, cartões de todas as bandeiras.

A situação cria tamanha surpresa ao ponto de fazer com que muitos fotografem e compartilhem a cena com amigos em diferentes redes sociais.

A propósito, falando em redes sociais, chegando perto de virar um quarentão, junto com contemporâneos da mesma idade, vi com assombro uma das maiores negociações do segmento de tecnologia. A notícia estampada em todos os jornais, de papel ou não, diziam: “Facebook compra Whatsapp por dezenove bilhões de dólares”. Como dizem nossos colegas cariocas, “fala sério”! É assombroso pensar que tais empresas não povoavam nem de longe os nossos imaginários mais criativos quando éramos crianças.

Então, podemos concluir que vivemos ainda jovens pré-quarenta, um mundo de possibilidades, em muitos aspectos, mais arrojadas do que propagavam nossas ousadas produções de ficção científica.

Engana-se quem pensa que as revoluções se esgotam apenas no campo tecnológico. Vimos, recentemente, o Brasil aprovar e aplaudir, sem qualquer tipo de melindre, o primeiro beijo gay das novelas da emissora líder em audiência no país.

O mundo testemunha com cada vez mais frequência mulheres chegando ao posto máximo de empresas e estados nacionais, e os Estados Unidos elegem pela segunda vez consecutiva um negro para presidente.

Nós, que estamos próximos de assumir publicamente a identidade de 4.0, em âmbito econômico, testemunhamos aqui no Brasil, uma camada cada vez maior da população ter acesso ao transporte aéreo, a serviços de estética e restaurantes.

Antes que alguém questione, quero dizer que este texto é sim um relato otimista e empolgado para um mundo que tem se descortinado com portas abertas bem mais amplas para novos passos em direção a níveis avançados e complexos de cidadania.

Temos sim fantasmas perigosos, que ameaçam os novos tempos, e por tanto merecem ser combatidos. Não podemos em hipótese alguma abrir mão da liberdade de expressão, em nome de verdades absolutas que se sustentam disfarçadas de discursos libertários. Não é justo  nos curvar diante de posturas violentas e criminosas, em nome de uma culpa generalizada atribuida a nosso modo de vida ou a determinado histórico econômico equivocado. Não devemos permitir que a criminalizaçao da pobreza, ainda seja um discurso que justifique a exclusão econômica e, cultural de jovens negros, homens, mulheres e crianças, que habitam as periferias de nosso Brasil.

Neste cinco de março assopro trinta e oito velinhas, saudando a todos vocês que me acompanham, curtem e compartilham minhas idéias, por vezes concordando, e em outras tantas discordando e contribuindo para que elas se tornem melhores.