Parabéns trabalhadores

deficiente-x-empregoNo fim de semana, conversando com alguns amigos sobre o primeiro de maio, quando comentei que esse seria o tema de minha coluna alguém perguntou: “Mas, falando há tanto tempo sobre o assunto, ainda tem novidades para trazer?” De imediato, mudei toda a estrutura de um texto que já estava quase pronto, pois penso que tal provocação merece ser compartilhada e discutida neste espaço.

Para mim, ativista que trata de inclusão, cidadania e questões relacionadas à deficiência, creio que este assunto ainda configura-se como uma fonte inesgotável de possibilidades que merecem nossa atenção. Às vésperas do Dia do Trabalho, precisamos falar do paradoxo global que nos coloca diante de um processo cruel de precarização das condições de trabalho.

Os cenários nos convidam a refletir, por exemplo, sobre a contradição materializada pelo trabalhador que protesta e faz greve por melhores salários e condições de trabalho no Brasil, porém exibe com orgulho roupas e calçados comprados no mercado oficial e/ou paralelo, proveniente de arranjos produtivos viabilizados em sua grande maioria por mão-de-obra escrava de homens mulheres e crianças sem quaisquer direitos, em países como China, Vietnã e tantos outros.

Ser empregado ou patrão em pleno século XXI é, antes de qualquer coisa, um desafio que requer desprendimento para se ressignificar velhas concepções. A luta dos movimentos sindicais, só para exemplificar, não pode se dar apenas considerando aspectos locais. Faz-se necessário problematizar modelos econômicos, relações de consumo e consciência planetária.

Os empregadores já não podem mais ter uma visão limitada, que reduz seus colaboradores a recursos, e isso não é apenas um discurso bonito. Falamos de um novo olhar, que compreende empregados e empregadores como parceiros, alinhados a partir de novas pactuações com foco em resultados positivos para ambas as partes.

Nós, pessoas com deficiência, já podemos ainda que por conta de pequenos e bons exemplos vivenciar novas posturas de relações trabalhistas, onde a sinergia acaba sendo o ponto de equilíbrio, ou mesmo o norte a ser perseguido.

Vejam que nesse texto aponto o bem e o mal sem qualquer pretensão de apontar quem ganhou ou perdeu. Fato é que o momento em que vivemos requer novas leituras e posturas, para que tenhamos o que verdadeiramente importa: trabalho e trabalhador como dois elementos chave para a qualificação do conceito prático de cidadania.

Hoje não quero falar de leis, nem de casos ou coisas que exemplifiquem a importância deste feriado. Quero desafiá-los a pensar sobre o que temos e o que verdadeiramente queremos quando o assunto é o mundo do trabalho.

Bom feriado!

Quantos Bernardos?

1_bernardo-163617Creio que esse seja um dos textos mais difíceis que já escrevi. Complicado, não pela linguagem, tão pouco por minhas convicções, mas muito pelo horror do fato em si.

A morte de uma criança por si só já é algo que nos incomoda e paralisa. Trata-se da inversão lógica sustentada pela ideia que nos faz crer no milagre da vida, materializada pelo desafio de se visualizá-la enquanto jornada a ser vivida e vencida.

Assim, nosso assombro se torna maior quando a tal caminhada é interrompida propositadamente. Pior que isso, quando o feitor de tamanha crueldade, é aquele ou aquela, responsável por criar, proteger, enfim, por fazer com que a beleza de viver seja consagrada, com sentimentos e valores básicos como segurança e amor.

Nossa sociedade então assiste sem palavras e sem respostas notícias recorrentes de pais que, com requintes de planejamento e perversidade, roubam a vida de seus filhos. Tais homens e mulheres, ainda se defendem, negam, e tentam transformar suas aberrações de conduta em objeto de retóricas jurídicas passíveis de defesas e atenuação de eventuais penas em tribunais.

Notem que, de repente, o bizarro, o monstruoso, enfim, a bomba que renega todos os nossos valores seculares, acaba se resumindo à disputa de programas sensacionalistas de fim de tarde por audiência, e de advogados por notoriedade, mesmo que, para tanto, verdadeiras bestas feras possam vir a ser absolvidas. O Brasil avançou com a promulgação de uma constituição cidadã, garantidora de direitos, documento pactuado e pensado, para trazer aqueles mais vulneráveis para a centralidade do que chamamos, hoje, de acesso à proteção social. Temos as Leis Orgânicas da Saúde, da Assistência Social, e o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Então, o que será que está faltando?

O objetivo deste texto não é apontar respostas, até porque creio que não as tenho, ao menos na totalidade. Tenho, sim, minhas opiniões, que se forjam a partir de um misto de indignação e crença na necessidade de termos ressignificadas nossas relações sociais. Antes disso, porém, penso que se faz urgente resgatarmos nossa capacidade de indignação e mobilização. A sociedade brasileira não pode se manter anestesiada diante de feitos que afrontam seus principais pilares de sustentação. Não podemos permitir a banalização do ato de se tirar uma vida, muito menos aceitar que nossa legislação abra brechas para impunidade em situações extremas como as que tratamos aqui.

Penso que tratar desse tema neste espaço foge de minha expertise. Logo, assumo o risco de falar com mais emoção ou menos argumentos. Dito isso, acredito que vale à pena correr o risco, pois como já é dito pelo velho jargão popular, melhor errar pela ação que pela omissão.

Convido-lhes com esse pequeno artigo a também se posicionar. Devemos sim, nos colocar contrários diante de absurdos que nos fazem mal. Hoje já nos apropriamos das redes sociais, e ainda temos as conversas formais e informais, e tantos outros espaços que nos permitem expor nossa revolta e ao mesmo tempo nossa vontade de se ter um país mais humano, justo e solidário.

Tenho a esperança de que estejamos tratando de aberrações que se configuram em exceções, portanto merecedoras ainda de mais empenho para que não as vejamos se repetir.

Manda uma gelada

cervejas_siteVocê gosta de cervejas? Decidi, trazer para dicas de lazer deste feriado, mais do que algo em específico, a possibilidade de uma nova concepção. Pessoalmente tomo cervejas há mais ou menos vinte anos, sempre naquela perspectiva de ter algo refrescante, agradável e bom para acompanhar pratos e as boas trocas de idéias com amigos.

De um tempo para cá, tenho descoberto as infinitas possibilidades que o mundo da cerveja pode nos proporcionar, tornando esse hábito ainda mais prazeroso e saudável. Iniciei essa caminhada, estimulado pelas boas cervejas de trigo alemãs que tem se popularizado no Brasil, como Erdinger e Paulaner. Apesar dos preços ainda um pouco proibitivos, percebi que o mercado  vem se transformando aos poucos, fazendo com que descobrir novas cervejas não seja uma possibilidade tão distante de nossos paladares e bolsos.

Neste post, compartilho com vocês algumas dicas fundamentais para quem estiver afim de de mergulhar de vez neste mar de possibilidades de maltes e lúpulos. Começo com o site www.brejas.com.br. Como todo aprofundamento, esse universo demanda leitura e novos conhecimentos, logo posso lhes garantir que os caras do www.brejas.com.br, nos oferecem isso com qualidade, linguagem leve e muita variedade de informações.

Também vale a pena assinar e ouvir o Beercast Brasil, podcast que todas às quarta-feiras trás uma cerveja e um convidado, que lhes aguçarão a curiosidade e darão muita sede. Para fechar, recomendo conhecer o www.haveanicebier.com.br. Trata-se do maior clube de cervejas da América Latina, então já pode imaginar, lá você poderá comprar com bom preços, variedades, e ainda fazer uma assinatura, que lhe permitirá receber excelente seleções de marcas de todo o mundo.

Saúde!!!

E depois do Ituano?

Galo_ituano_campeaoDomingo, o que não parecia lógico aconteceu. O imponderável venceu o óbvio, fazendo com que a vibração de torcedores dos grandes eliminados paulistas tomasse as ruas e as redes sociais. Tais celebrações vinham carregadas de um misto de “tiração” de onda do adversário derrotado, somada a uma satisfação pela vitória do mais fraco, acrescida por uma impressão de redenção do próprio time, agora não mais uma vítima exclusiva da surpresa proveniente das estripulias dos clubes caipiras.

O futebol paulista às vésperas da Copa do Mundo reverbera os sinais de novos tempos dentro e fora dos gramados, deixando claro para apaixonados e indiferentes ao esporte que coisas novas estão acontecendo e muito ainda está por vir. Assim, mesmo em espaços como este, cujo assunto passa longe das arquibancadas, traves, bolas, jogadores e chuteiras, não dá para ficar indiferente ao tema. Afinal de contas, no país do futebol, a vida imita os campos e vice-versa.

Aí você pode dizer: “mas calma lá, não é a primeira vez que um clube pequeno apronta para cima de um grande”. Realmente, isso é verdade, não precisamos vasculhar muito a memória para lembrarmos do Santo André sendo campeão da Copa do Brasil em cima do Flamengo dentro  do Maracanã, ou mesmo o Inter de Limeira vencendo o mesmo paulistão há dezoito anos, depois de derrotar o Palmeiras dentro da capital.

Agora, no entanto, a exceção parece estar se tornando regra. Vemos a Libertadores da América com dois clubes bolivianos avançando para as oitavas de final, temos o Ituano Campeão Paulista depois de eliminar o Corinthians, vencer São Paulo, Palmeiras e Santos, isso sem falar do milionário Barcelona sendo eliminado na Champions League, pelo competente Atlético de Madrid.

Gestão planejada, profissionalismo na preparação física e técnica e altos investimentos descentralizados podem ser algumas das explicações para esse grande desfile de zebras pelo mundo. Ou ainda o quase desconhecido Marcelo Oliveira que chegou ao título de campeão Brasileiro de 2013 como técnico do Cruzeiro de Minas Gerais, afirmando que a crença no trabalho contínuo e na preparação de uma equipe são elementos que não podem ser deixados de lado por quem quer vencer.

Pequenas start ups de tecnologia, de moda, gastronomia, turismo e serviços diversos, confirmam a regra fora das quatro linhas, reafirmando a tônica de que o futebol espelha a sociedade de seu tempo. Há dois meses para a Copa do Mundo, ainda aposto no óbvio, mesmo contrariando meu instinto de torcedor. Acredito no título da Alemanha, porém não ficarei surpreso com a vitória de um trabalho mais modesto, porém não menos disciplinado e bem trabalhado.

Depois do Ituano, vale à pena pensar um pouco mais antes de apostar, seja na loteria esportiva, ou mesmo naquela atividade profissional que parece óbvia simplesmente porque sempre deu certo. A história de qualquer negócio ou equipe deve sim sempre ser considerada, contudo, foi bom sermos lembrados pela turma de Itu, a cidade em que dizem que tudo é grande,  sobre um velho provérbio futebolístico que diz, “só camisa não ganha jogo”.

Uma conversa do Peru

peruNo último texto que publiquei por aqui, falei do marco civil da Internet, apontei as possibilidades deste documento enquanto um marco para a garantia de direitos nos espaços virtuais e, por fim, disse que voltaria na próxima semana para apontar os riscos igualmente importante e necessários de serem analisados, considerando a possibilidade de aprovação de uma Lei ampla como essa. Um dia depois, a Lei foi aprovada no Congresso e agora creio ser prudente esperarmos um pouco mais para seguir com as análises, visto que será importante considerar as alterações que virão do Senado.

Desta forma, hoje aproveito a oportunidade para compartilhar com vocês um pouco de minhas experiências na reunião do Comitê Executivo da União Latinoamericana de Cegos (ULAC), que se realiza aqui em Lima, Peru.

Primeiramente, penso ser importante falar um pouco da cidade. Povo acolhedor, culinária variada e extremamente saborosa e o que mais me chamou a atenção, uma grande identificação de todos com as coisas do Brasil. O país busca crescer e se reorganizar, e tem em nossas experiências uma referência para continuar avançando.

Já tratando de nosso trabalho por aqui, cabe destacar minha participação em uma mesa na Universidade Continental do Peru, sobre trabalho e emprego para o segmento de pessoas com deficiência. Tive ao meu lado representantes da Argentina, Cuba, México, e claro, do Peru.  Fiquei encantado com os esforços que estão desenvolvendo para geração de emprego e renda para cegos na área rural. Já existem profissionais capacitados e trabalhando em áreas pouco tradicionais, como cultivo de quinoa, produção de bijuterias em prata e miçangas, artesanato em cerâmica, dentre outros.

Em minha fala, contei um pouco dos avanços históricos que pudemos testemunhar no Brasil. A Lei de Cotas, a ratificação da Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência enquanto emenda constitucional, e a consolidação de um novo paradigma, que na relação emprego e pessoa com deficiência hoje considera as potencialidades do trabalhador, e não mais sua deficiência como elemento decisivo para contratação.

Nesses dias de trabalho ainda pude contribuir com a elaboração de proposta de reforma estatutária da ULAC. Foram catorze horas de trabalho, mas extremamente gratificantes, pois acreditem, ao final chegar a conclusão de um produto que teve grande participação de todos, e nasceu a partir de uma pactuação coletiva, é algo muito prazeroso.

Amanhã, juntamente com os demais membros do Comitê Técnico Científico da entidade, coordenarei um trabalho junto a dirigentes e usuários das associações do país. Nosso objetivo será fazer com que eles possam discutir sobre os problemas e as possibilidades do movimento local chegando a apresentar e pactuar propostas. Caso você queira saber mais sobre nosso trabalho por aqui, é só deixar sua pergunta.