Blumenau com atraso

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Um título como esse só pode soar estranho, algo injusto, ou até uma piada. Na verdade, então o Atrasildo aqui sou eu, visto que só alguns dias depois de tudo que vivenciei, pude parar para compartilhar em palavras tantas emoções e fatos concretos.

Quem me segue nas redes sociais sabe que nos dias 20 e 21 de maio, tive o privilégio de trabalhar nas conferencias conjuntas de direitos humanos da cidade de Blumenau. Além da honra por proferir a fala magna, também me foi atribuída a responsabilidade de facilitar os trabalhos de um dos grupos, relacionados a um dos eixos propostos pelo CONADE – Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, para que fossem debatidos em todo o processo conferencial.

Quero lhes contar essa experiência a partir de três perspectivas. Começo falando com o olhar de militante. Sendo pessoa com deficiência, que tem há mais de quinze anos contribuído e pensado processos para estimular e qualificar a participação popular, vibrei com o privilégio de ser testemunha viva da primeira conferência daquele município na área dos direitos das pessoas com deficiência. De imediato trago para nossa conversa minhas percepções enquanto profissional. Foi lindo sentir todo o empenho e compromisso, dos delegados, gestores locais e equipe de apoio para que toda a programação, metodologia e produção de deliberações e moções fossem exitosas. Essa leitura inclusive transcende a conferência específica das pessoas com deficiência. Lá pude ver idosos, adolescentes, trabalhadores, PCDs, gestores, todos olhando para o todo, sem deixar que isso tirasse o foco no que haviam se comprometido a debater.

Por fim, posso afirmar que meu olhar de cidadão, mesmo que descolado de todo o histórico de militância e do acúmulo profissional na área de assessoria na gestão de políticas sociais e processos de participação popular, esteve plenamente contemplado pela forma leve e ao mesmo tempo profunda com que os delegados e delegadas naqueles dias discutiram demandas e problemas de sua cidade, do estado e do país.

Ao contrário do título dessa coluna, Blumenau não atrasa. A pontualidade de seu povo e eventos, em certa medida nos desconcerta em um primeiro momento, mas logo faz com que nos recordemos do real sentido das horas. Contudo, ainda que fortemente alinhados com os ponteiros do relógio, toda a população sabe que precisa acelerar botando em marcha toda sua disciplina, paixão e união, para avançar ainda mais na constituição de uma rede sólida de proteção social. As deliberações frutos destas conferencias conjuntas, mostram que o povo sabe o que quer, o que tem, e encara com bastante responsabilidade os desafios de muito por se fazer.

Meus agradecimentos aos usuários dos serviços, trabalhadores, gestores, equipe da práticas assessoria pela confiança, carinho, e por oportunizar fazer o que mais gosto, levar conhecimento, e trazer conhecimento, podendo assim exercitar com plenitude o que costumo chamar carinhosamente de plantação de amigos e cultivo da sabedoria.

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2 ideias sobre “Blumenau com atraso

  1. Parabéns ! Excelente contribuições as suas !
    Prazer imenso estar com você,e compartilhar de tantos saberes,experiências …aprendizados
    Fortalecendo vínculos !
    Parabéns pela expressiva atuação no movimento das pessoas com deficiência,com vistas a garantia de direitos .

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