O dia mais amargo do Brasil

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memeipaday

E aí, esse título lhe faz sentir vontade de fazer parte desta data? Provavelmente não, exceto se, assim como eu e outras milhares de pessoas você for fã das lupoladas Índia Pale Ale, estilo de cerveja cheio de aromas e sabores, marcados pela adição de diferentes lúpulos nos diversos momentos que compõem o processo de produção da bebida.

No último dia 22 de agosto, estivemos em Ribeirão Preto celebrando o IPA DAY, comemoração com origem americana, mas que rapidamente graças a uns caras empreendedores, de uma empresa chamada Academia de Ideias Cervejeiras, chegou no Brasil com muita força, se configurando como o maior evento do estilo no mundo. Estávamos lá, em quase 3 mil pessoas, e infelizmente o amargo que de acordo com o esperado deveria ser o protagonista em cada copo dos festeiros, passou a dominar   o humor e o clima da festa. O dia ficou amargo por conta das longas filas para entrar, mais filas para beber, e claro filas de toda ordem para comer.

Assim, os excelentes músicos que com muita qualidade de som tentavam animar todos que chegavam, passaram a cada intervalo de músicas a ter que conviver com vaias crescentes, típicas de um cenário hostil e perfeito para se formar grandes confusões. Felizmente tudo terminou bem, e da metade do evento para frente, os organizadores conseguiram com algumas medidas paliativas, e a prorrogação do evento em mais duas horas, acalmar os ânimos reconstituindo em boa medida o clima de congraçamento tão presentes em anos anteriores.

Conto-lhes esta experiência, pois a mim o que de fato realmente chamou a atenção, foi uma postura raivosa e porque não dizer impiedosa de uma galera que até então era extremamente alinhada e porque não dizer “fã dos organizadores daquele evento que tem marcado o crescimento da cultura cervejeira no país.

A fúria tomou as redes sociais, e mesmo os esforços de gestão da crise, que se deram ao longo do dia não foram para a enorme maioria, suficientes para amenizar toda a ira online e offline.

Ficou claro que mais do que consumidores insatisfeitos, haviam ali haters habituais, que identificaram naquele problema mais uma oportunidade de explodir, maldizendo uma festa que até poucas horas antes era mais esperada do ano.

Com essa constatação não quero culpabilizar as vítimas, até porque faço parte delas. Paguei e peguei filas como poucas vezes já havia feito, contudo não creio que seja inteligente fazer uma análise odiosa de qualquer que seja a situação, sem também ponderar os acertos e as possibilidades de ajustes de rota para um próximo momento.

Pessoalmente destaco a qualidade do espaço, dos músicos presentes, das cervejas participantes, e da logística criada para distribuição de água gelada. Notem que mais do que tratar de uma festa que teve problemas, quero discutir e provocá-los a pensar que necessitamos de análises e opiniões mais complexas. Seja na arte, na gastronomia, na política, ou mesmo em nosso cotidiano particular, sempre irão existir bem mais coisas do que os óbvios dois lados da moeda.

 

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