Retrospectiva: tem pra todos os gostos…

A cada ano fica mais complexo e ao mesmo tempo um tanto banal, o volume e a qualidade de retrospectivas que somos submetidos pelos diferentes e diversos veículos de mídia dos quais consumimos conteúdos. Existem aquelas customizadas, elaboradas especialmente por exemplo para quem gosta de esportes. Também, todo fim de ano pinta aquela genérica, recheada de desgraças, comemorações e dados diversos, empacotada de um jeito que dá a impressão que todo ano acaba ao fim das contas sendo igual em forma e conteúdo.

A verdade, no entanto, é que a vida é única, diversa e cheia de surpresas, cabendo a cada dia, de algum jeito, a grande responsabilidade de pavimentar a narrativa da história da humanidade. Olhando por essa perspectiva, as pequenas coisas ganham grandeza, intensidade, e nos chamam a atenção para que olhemos para os fatos que vivemos com maior estranhamento, cuidado, e compromisso de quem é testemunha de algo único; fundamental para que tantas outras situações possam ocorrer. Assim, neste artigo de fim de ano, lhes convido a experimentar a elaboração de sua própria retrospectiva.

Quais as amenidades de 2015 que lhe fizeram respirar? Falo daquele bate-papo, ou aquela situação aparentemente pouco importante, porém fundamental para recarregar as baterias com boas risadas, ou mesmo com um bom relaxamento da sempre pressionada massa encefálica. Foram os momentos em que vivemos, simplesmente por viver. Pessoalmente lembro de um karaokê entre amigos, dos muitos almoços e pizzas em família, ou mesmo das horas dedicadas a produção de uma boa cerveja a ser posteriormente compartilhada. Lembro do sabor dos deliciosos peixes e sorvetes na estação das docas em Belém do Pará, do canto das cigarras e conversas ao fim do dia entre amigos em Brasília, das músicas tradicionais cantadas com alegria e muito chimarrão e/ou vinho e em Porto Alegre.

Quais as inovações de 2015 que te fizeram parar e refletir. Falo das coisas que te arrancaram do lugar comum e lhes deram a sensação de viver um tempo novo. Pessoalmente me encantei com o Uber, e fiquei um pouco chocado de ver o quanto o conceito de taxi ficou ultrapassado. Me impressionei, diante das descobertas de minha filha de cinco anos no youtube, e pude constatar minha condição de testemunha viva de um novo jeito de consumir conteúdos pela televisão.

Quais os livros, filmes e séries deste ano que você guarda na bagagem para levar para a vida. A gente acaba vendo, ouvindo e deixando para trás muita coisa bacana, ou claro também muita porcaria. Em 2015, pude conhecer e me encantar com a escrita e a narrativa de Leonardo Padura, mergulhando em seu fantástico livro Os homens que amavam os cachorros, e travar boquiaberto diante das reviravoltas de Game Of Trones. Tive um belo reencontro com a filosofia, graças ao qualificado diálogo entre os Prof. Cloves de Barros Filho e Julio Pompeu no livro Somos Todos Canalhas, e me deliciei diante dos ótimos textos e provocações de Eliane Brun com o livro A menina quebrada.

E quanto as grandes experiências profissionais, o que fica como boas lembranças e aprendizado de 2015. Nosso trabalho pode ser fontes de infindáveis retrospectivas. A cada ano, revisitar o que fizemos e/ou deixamos de fazer, em boa parte das vezes configura-se em medida quase cirúrgica para avançarmos com qualidade. Compartilho com vocês, as excelentes experiências que pude vivenciar em cidades como Caxias do Sul, Sorocaba, Itapetininga, Maceió, Natal, Campo Grande dentre tantas outras, que me acolheram com carinho, respeito e muita empatia, para discutirmos questões relacionadas a Política Pública de Assistência Social e a Pessoa com deficiência. Sou um profissional que tenho construído uma carreira comprometida com a militância, e com todo o aprendizado que pude obter e compartilhar na universidade. Por isso, afirmo sem medo de errar, que em cada formação que ministro, ensino e aprendo com a mesma intensidade, e melhor ainda trago de volta para casa muitos amigos e histórias para lembrar e revisitar.

As nossas retrospectivas podem ter muitos outros capítulos, mas não tenho dúvidas de que só serão autênticas se de fato tiverem a nossa assinatura.

Pretendo continuar por aqui, escrevendo muitos outros capítulos de meu 2015. Por hora me despeço agradecendo pelo companheirismo de tantos colegas de trabalho e de luta. Pela amizade e carinho de meus familiares, velhos e novos amigos, e tantas pessoas que acompanham meus trabalhos online e offline. Obrigado meus velhos e novos alunos, a cada encontro em sala de aula, nos tornamos juntos mais fortes e acima de tudo, cidadãos brasileiros. E que venha 2016.

 

Um prêmio inusitado

coco

Faz uns vinte anos, mas parece que foi ontem. Eu trabalhava com vendas por telefone, e dado o então grande crescimento dessa atividade, pude vivenciar diferentes experiências. Vendi cartões de crédito, planos de saúde, revistas, jornais, equipamentos de telecomunicações, dentre outras coisas com maior ou menor grau de complexidade.

A empolgação dos trabalhadores da época era algo contagiante, e em um português vulgar que tomava conta dos bate-papos de corredor, o que mais se dizia era que vendedor dos bons vendia até m*#$%@!, e/ou terreno na Lua. Claro, tratavam-se de figuras de linguagem que buscavam ao máximo trazer o impossível como algo a ser suplantado.

Ontem passeando com a família no shopping, fomos a um aniversário de uma coleguinha de minha filha em um daqueles espaços com vários jogos e brinquedos, onde as crianças em posse de um cartão previamente carregado podem ter acesso a boa parte das atrações. Digo maioria, pois outras tantas depende de uma espécie de créditos que se pode ganhar ou comprar para interagir com games que dão ainda mais créditos ou prêmios em espécie. O espaço apresenta-se como uma alternativa fantástica para as crianças, pois ali elas interagem, brincam, e celebram mais um ano fazendo aquilo que mais gostam, ou seja, brincar, brincar e brincar.

Em meio a idas e mais idas a uma série de brinquedos, me chamou a atenção ouvir repetidas vezes de crianças diferentes “papai, mamãe, eu quero um cocô”. Talvez por ser cego, diálogos e falas soltas ao redor acabam me chamando mais a atenção, e a surpresa foi aumentando, visto que não pediam como de costume para fazer, mas afirmavam com veemência que queriam o tal produto.

Tive a certeza que não estava ouvindo mal, quando minha filha disse o mesmo, e logo em seguida pude comprovar com as próprias mãos. A amiga da mesma idade havia acabado de ganhar em um dos tantos jogos que haviam por lá um cocô de pelúcia, que minha esposa e os demais pais ao redor me permitiram finalmente tocar, e fazer como São Tomé: “ver para crer”.

É isso mesmo, alguém do mercado de games, atividades lúdicas ou sei lá como mais poderíamos tipificar esse setor econômico, pensou fora da caixa e conseguiu transformar o cocô em um prêmio cobiçado e aclamado por crianças.

Voltando para casa fui consolando minha pequena, explicando que se tratava de um prêmio e teríamos que jogar em algum outro momento para ver se ganhávamos tal objeto de cobiça. Aproveitei a oportunidade para tentar dialogar com ela sobre tal situação inusitada, ao menos para mim que cresci percebendo o prêmio desejado como algo que só poderia encontrar lugar em esgotos, foças e afins. Perguntei, “você acha legal ganhar um cocô, dormir abraçada com ele”? Minhas perguntas foram fazendo rapidamente ela mudar de ideia, mudando de assunto e deixando para trás o pedido por aquele brinquedo novo.

Trouxe essa experiência pessoal para nossa conversa semanal, pois acho importante de tempos em tempos, refletirmos sobre a falta de limites do mercado, quando o tema é aumentar e estimular o consumo. Crianças e jovens estão entre as vítimas prediletas dessas ofensivas e por vezes nós pais e familiares, por amor ou por ímpeto em atender nossos amados (as), acabamos entrando na onda e comprando sem perceber o tamanho da armadilha. Alguém, pode ler este texto e afirmar que estou errado. Talvez minha história refira-se a uma estratégia moderna que tenta ressignificar o papel do cocô para crianças e a sociedade em geral.

Pessoalmente ainda acho que se trata de uma afronta de um mercado agressivo, totalmente descompromissado com elementos educacionais e culturais importantes para contribuir com aqueles que no futuro assumirão a condução do planeta.

Como diria Pepe Mujica, quando compramos não gastamos dinheiro, mas sim tempo. Desta forma, espero que nossos filhos, primos, sobrinhos, enfim, nossas meninas e meninos, possam investir seus dias de infância com brinquedos e brincadeiras mais bacanas que um “cocô”

As nossas leituras

Lembro-me de questionar com veemência, inclusive sem ter clareza da sanidade, os boatos que davam conta do forte crescimento do whatsapp, inclusive se colocando como futuro legítimo sucessor do Facebook nas preferencias de gente conectada espalhada por todo o  mundo.

Meses se passaram, o Facebook comprou o whatssapp, e hoje já não duvido – nem tão pouco me atrevo em apostar – sobre quem ou qual será o grande protagonista da arte de nos aproximar por meio de bits. Diante dos fatos e possibilidades prefiro fazer diferente, ou melhor, pensar diferente, buscando contemplar, usufruir e problematizar tratando das novidades diárias que pipocam via os múltiplos dispositivos que nos levam à Internet.

Hoje quero lhes contar sobre a experiência de viver em grupos do ‘zap zap’. Pois é, vamos   chama-lo assim, pois foi desse jeito que o app de dezesseis bilhões de dólares acabou baixando em nossos telefones e vidas. Primeiro, nos seduzindo  com a novidade de podermos nos comunicar com agilidade e baixo custo; segundo, com a possibilidade de fazermos isso cada vez com mais pessoas e, de repente, nos permitindo reconstruir e comceber novas turmas e tribos.

Pessoalmente tenho como grupos ativos: um comitê técnico científico que discute questões relacionadas à produção de conteúdos e metodologias destinados a qualificar o movimento de cegos latino-americano; um grupo de amigos que compartilham descobertas de rótulos de cervejas artesanais; e shows de MPB e rock na Grande São Paulo. Tem também a grande família, onde diariamente me encanto ao testemunhar os avanços de meus pais e tios no mundo digital; ainda  participo de um grupo de dicas sobre a utilização de produtos Apple por pessoas cegas e com baixa visão e, é claro, estou também no grupo do trabalho, que não nos dá descanso sequer de fim de semana. Existem os grupos esporádicos para tratar de eventos e situações específicos e, não ocasionalmente por último, também estou no grupo que emprestou o nome para essa coluna.

Lá participam pessoas cegas e com baixa visão compartilhando suas experiencias e descobertas. Escolhi falar um pouco mais do convívio neste grupo, pois acredito ser importante levar a vocês o quanto significa para nós cegos vislumbrarmos a possibilidade concreta de ler aquilo que quisermos. Trata-se de uma revolução no sentido mais belo e transformador que essa palavra um dia pôde nascer para dar.

Em “as nossas leituras” fazemos verdadeiras revoluções diárias ao compartilharmos todas as  dificuldades de décadas anteriores, onde a produção braille não alcançava nossos anseios e necessidades. Nos divertimos e nos emocionamos ao lembrar da chegada da Internet, da conexão discada, enfim, da explosão de mundo materializada em letras e sons que, de repente se mostravam acessíveis.

É importante deixar claro que em muito ainda precisamos avançar para que o acesso à leitura seja, de fato, algo simples e com a dignidade necessária e almejada por pessoas cegas e com baixa visão deste país. Contar para vocês o imenso prazer de falar sobre livros com amigos de diversas partes do país, a qualquer hora e em qualquer lugar, traz a ideia de lhes chamar a pensar sobre o quanto podemos aproveitar e fazer a partir dos novos recursos tecnológicos e mais que isso, das novas possibilidades humanas de convívio no espaço virtual.

Agradeço e cumprimento a amiga Magda, idealizadora da nova turma, e recomendo sem medo de errar que possam conceber ideias semelhantes.

Once Upon a Time

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Essa semana terminei uma maratona diante de 22 episódios que compuseram a primeira temporada da série Once Upon a Time.  Foi muito intenso acompanhar a jornada de Branca de Neve, João e Maria, Pinóquio, Grilo Falante, o Principe Encantado, a Rainha Má, Chapeuzinho Vermelho, o genial Rumpelstiltskin, entre outros.

Cabe, antes de tudo, contextualizar um pouco sobre a proposta da série, antes que algum leitor conclua que esse que vos escreve definitivamente enlouqueceu. A ideia de Edward Kitsis é trazer, para os dias de hoje, todos as personagens dos contos de fada. A turma chega por aqui graças a uma maldição e convivem em uma pequena cidade americana sem se lembrarem, em sua grande maioria, quem verdadeiramente são. Aqui no Brasil, você pode acompanhar a série por meio da TV fechada, além do conteúdo estar disponível em um serviço de stream pago.

Mas eu trouxe esse assunto para cá, não apenas por ter me divertido muito com as aventuras e angústias vivenciadas pelos nossos heróis em suas vidas passadas e presentes. O que penso que vale realmente discutirmos é a ousadia que temos testemunhado diante da releitura de histórias que passaram por inúmeras gerações, reforçando a mensagem de que o bem e o mal são verdades absolutas que fazem das relações – humanas ou fictícias – dois pólos opostos que, ao final, terão um desfecho feliz e perfeito com um lado vencedor e outro derrotado.

Sem dar qualquer pista sobre a história, o que posso lhes afirmar é que temos neste seriado um material totalmente diferente. Ninguém é totalmente bom ou ruim, o que nos faz refletir a partir de uma perspectiva bem mais complexa e questionadora diante das causas e consequências que se desenrolam capítulo a capítulo. Você vai pular do sofá quando se deparar com a história do lobo mau!

Aqui no país, João Emanuel Carneiro também pensou fora da caixa. Milhões de brasileiros que acompanharam a novela global Avenida Brasil, puderam experimentar de forma inovadora e emocionante, a possibilidade de vibrar – e se decepcionar – com as mesmas personagens repetidas vezes durante a trama, expondo imperfeições de “mocinhos” e a sensibilidade de “vilões”, sinalizando a telespectadores historicamente acostumados a roteiros previsíveis, que nos dias de hoje nada mais pode ser considerado definitivo.

A Disney também saiu do lugar comum se propondo a contar velhas histórias a partir de novos olhares. Vale muito a pena acompanhar com os nossos pequenos a mensagem passada por Malévola, e claro, toda a beleza coroada pelo final, bastante distante do convencional, proposto em Frozen, maior produção da companhia em todos os tempos.

Com certeza as boas histórias continuarão fazendo parte de nossas vidas e sonhos, mesmo com finais não tão felizes. Até por que, vamos combinar: o que vale, de verdade, é o que se vive ao longo do caminho.

Era uma vez…

E depois do Ituano?

Galo_ituano_campeaoDomingo, o que não parecia lógico aconteceu. O imponderável venceu o óbvio, fazendo com que a vibração de torcedores dos grandes eliminados paulistas tomasse as ruas e as redes sociais. Tais celebrações vinham carregadas de um misto de “tiração” de onda do adversário derrotado, somada a uma satisfação pela vitória do mais fraco, acrescida por uma impressão de redenção do próprio time, agora não mais uma vítima exclusiva da surpresa proveniente das estripulias dos clubes caipiras.

O futebol paulista às vésperas da Copa do Mundo reverbera os sinais de novos tempos dentro e fora dos gramados, deixando claro para apaixonados e indiferentes ao esporte que coisas novas estão acontecendo e muito ainda está por vir. Assim, mesmo em espaços como este, cujo assunto passa longe das arquibancadas, traves, bolas, jogadores e chuteiras, não dá para ficar indiferente ao tema. Afinal de contas, no país do futebol, a vida imita os campos e vice-versa.

Aí você pode dizer: “mas calma lá, não é a primeira vez que um clube pequeno apronta para cima de um grande”. Realmente, isso é verdade, não precisamos vasculhar muito a memória para lembrarmos do Santo André sendo campeão da Copa do Brasil em cima do Flamengo dentro  do Maracanã, ou mesmo o Inter de Limeira vencendo o mesmo paulistão há dezoito anos, depois de derrotar o Palmeiras dentro da capital.

Agora, no entanto, a exceção parece estar se tornando regra. Vemos a Libertadores da América com dois clubes bolivianos avançando para as oitavas de final, temos o Ituano Campeão Paulista depois de eliminar o Corinthians, vencer São Paulo, Palmeiras e Santos, isso sem falar do milionário Barcelona sendo eliminado na Champions League, pelo competente Atlético de Madrid.

Gestão planejada, profissionalismo na preparação física e técnica e altos investimentos descentralizados podem ser algumas das explicações para esse grande desfile de zebras pelo mundo. Ou ainda o quase desconhecido Marcelo Oliveira que chegou ao título de campeão Brasileiro de 2013 como técnico do Cruzeiro de Minas Gerais, afirmando que a crença no trabalho contínuo e na preparação de uma equipe são elementos que não podem ser deixados de lado por quem quer vencer.

Pequenas start ups de tecnologia, de moda, gastronomia, turismo e serviços diversos, confirmam a regra fora das quatro linhas, reafirmando a tônica de que o futebol espelha a sociedade de seu tempo. Há dois meses para a Copa do Mundo, ainda aposto no óbvio, mesmo contrariando meu instinto de torcedor. Acredito no título da Alemanha, porém não ficarei surpreso com a vitória de um trabalho mais modesto, porém não menos disciplinado e bem trabalhado.

Depois do Ituano, vale à pena pensar um pouco mais antes de apostar, seja na loteria esportiva, ou mesmo naquela atividade profissional que parece óbvia simplesmente porque sempre deu certo. A história de qualquer negócio ou equipe deve sim sempre ser considerada, contudo, foi bom sermos lembrados pela turma de Itu, a cidade em que dizem que tudo é grande,  sobre um velho provérbio futebolístico que diz, “só camisa não ganha jogo”.

Moisés e Melissa

moises e melissaDiferente de Eduardo e Mônica, da canção de Legião Urbana, no caso deste casal “nossa amizade dá saudade não apenas no verão”, mas em todas as estações do ano. Contudo, ainda falando da música, os dois são sim um pouco diferentes, vejamos: ele é de Porto Alegre, ela é de Salvador, ele é Advogado, ela é Socióloga, ele é ativista político internacional do movimento de pessoas com deficiência, ela é escritora e acadêmica da área de empregabilidade, mas espera aí, os dois são cegos! E daí?

Sem qualquer sensacionalismo, tal característica incomum, ainda, infelizmente surpreende a sociedade em geral, principalmente quando precedida de histórias tão recheadas de sucesso, que em breve ganharão novos e melhores contornos, graças ao amor entre os dois e a decisão concreta de serem os verdadeiros protagonistas de suas próprias vidas.

Escrevo hoje sobre duas referências do movimento de pessoas com deficiência que casam no próximo sábado. Melhor dizendo, trago aqui a linda história de dois amigos que, nesta semana será coroada com um belo novo capítulo que promete. Decidi tratar deste acontecimento, primeiro para homenagear e dar minha humilde contribuição para que essa conquista do casal seja reverenciada. Segundo porque, penso que Moisés e Melissa, assim como muitos outros casais “diferentes”, por meio desta união no civil e no religioso, reafirmam uma postura de autonomia e de independência que felizmente cada vez mais povoam as diferentes camadas dessa nova sociedade, que não tenho dúvidas que somos nós os responsáveis pela concretização de um futuro que lembrem, propagamos em nossos discursos do presente.

Lá em casa, quando recebemos o convite do casamento, nos encantamos com a beleza e o cuidado dispensado pelos noivos. Minha esposa adorou as cores, as letras e o tipo do papel. Eu pessoalmente achei de extremo bom gosto as duas letras M em relevo, assegurando um signo tátil para aquele chamamento para a celebração. Já fiquei sabendo que a cerimônia contará com audiodescrição, então imaginem nós, dezenas de convidados, cegos ou não, podendo conversar sem qualquer tipo de barreira ou limitação sobre o elegante vestido da noiva ou quem sabe até falando mal da grande barriga do futuro marido. Brincadeiras à parte, tenho certeza que o amor deste casal aquecido pelo vinho e o sol do nordeste e do sul do Brasil se fortalece a cada segundo, com as bênçãos e bons fluidos dos “deuses” da inclusão e da dignidade humana e claro, por todas as boas energias enviadas de todos nós amigos e familiares.

Parabéns aos noivos, amor e união sempre.

Blocodoferrari.com.br

carnaval_2014

Apaixonado como sou por brincar com palavras, não perderia por nada a oportunidade de fazer esse trocadilho entre o domínio que nomeia meu blog, e a ideia, de um possível ou improvável bloco do Ferrari.

Acho que se ele fosse para as ruas, sem qualquer falsa modéstia iria arrastar multidões, afinal de contas; nosso tema do ano seria sedutor. Vejam o que acham: fujam dos  gráficos deprimentes  e venham para as  ruas para sambar literalmente.

Com tanta informação e constatações terríveis de anos anteriores, não dá para sambar entre aspas, pegando a direção de um veículo qualquer que seja,  depois de  beber tudo o que se tenha  de álcool por perto. Notem que mais do que engrossar a máxima politicamente correta  do se beber não dirija, penso que o papo neste  carnaval já pode seguir na linha do “vou beber, então a solução será” – vejam que a proposta é planejar agora, para relaxar nos quatro dias que se seguem.

E as camisinhas?

Recebemos aqui no Conselho Nacional de Saúde um material muito bacana elaborado pelos colegas de colegiado, lá  da Força Sindical.  Assim como eles, muitas outras organizações da sociedade civil se somam a esforços desenvolvidos pelas três esferas governamentais, no sentido de conscientizar as pessoas, com vistas a  se prevenir à gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis.

Com tudo isso, vejo muita gente que pede para dançar, no sentido mais negativo que esta “gíria” pode ilustrar. Desculpas e motivos vários se repetem claramente sem sentido  ano a ano, transformando momentos de alegria e prazer vividos sem responsabilidade, em estatísticas que nos assombram e transformam vidas muitas vezes com danos irreversíveis.

Acredito que uma mudança de postura se dá antes que a folia comece. Você que agora lê, curte, compartilha ou comenta esse texto, quer correr riscos, ou vai  de fato viver o carnaval de forma plena sem deixar que a inconsequência pontual, lhe possa depois te trazer cinzas para a vida toda.

Esse texto de última hora, já cheio de confetes e serpentinas, tem o singelo  propósito de lhe provocar. Todos nós temos responsabilidade para  com uma postura comprometida com a prevenção, na medida em que somos detentores do conhecimento de eventuais ganhos e perdas para nossa sociedade como um todo.

Carta a São Tomé

Prezado Amigo Santo; (ou com o perdão da liberdade, meu velho santo amigo!)

Escrevo-lhe notícias que confesso, apesar de conhecer toda a sua fama, penso que mesmo vendo, vossa santidade não acreditaria. Não sei a quanto tempo o senhor não vem por essas bandas, portanto cabe informar que o Brasil não é mais uma monarquia. Isso mesmo! Não temos mais reis, hoje “o cara” é o presidente. É esse mesmo o nome que se dá. Já digo que não tem nada a ver com aquele conhaque, fora o fato das más línguas dizerem que o homem é devoto do “Santo Mé”. Mas não faça cara feia, pois já se sabe que esse negócio de ser santo é coisa aí de cima.

Deixando a boataria de lado, acredite se quiser, mesmo não tendo mais reis, ainda por aqui se constroem castelos. Não se espante querido santo! Não estão fazendo um para cada família deste país, isso é privilégio de deputado.

Permita-me tentar explicar que ser é esse. Segundo estudos científicos faz parte da raça humana, e é eleito democraticamente pelos humanos para representá-los. O deputado ganha mais do que a maioria que o elegeu, sendo que boa parte deles trabalham infinitamente menos que seus quase santos eleitores. Deputados ganham bem, porém não o suficiente para construírem castelos! Mas se o amigo der um pulo em nossa querida terrinha, poderá ver e tocar em um construído lá nas Minas Gerais.

As notícias não param por aqui. Não que eu seja fofoqueiro, mas pergunte ao carteiro se não é verdade! Um casal que sempre trouxe histórias e mensagens aí de cima, conhecidos por bispo e bispa, andou transformando a bíblia em malote financeiro. Mais de cinqüenta mil meu santo. Diz a mídia que além das sagradas escrituras, o afortunado casal tinha dinheiro escondido no porta-cds, nas bagagens e Deus sabe mais onde, aliás dizem que quem sabe é o bispo.  A propósito, a paixão pelo cifrão tem levado pessoas a cometer loucuras. Teve gente até que transformou a cueca, isso mesmo, aquela peça íntima em cofre com dinheiro, sabe de quem? Dos tais eleitores!

Mas mudando um pouco o rumo da prosa, me permita falar de música. Não sou Nelson Mota, mas acho que dá para arriscar.

Santo do Céu, a coisa aqui feia ou como dizia o bom e velho Chico, a coisa aqui preta! Tem muita coisa boa, mas como me propus a te contar aquelas notícias de cair o queixo, se segura para não cair daí, afinal a altura deve ser grande.. A moda agora é o créu. É isso mesmo! Céu não, créu! Como sei que o amigo custa a acreditar, prometo me empenhar em mandar-lhe um e-mail com a obra aqui mencionada. Mas caso a mesma seja bloqueada pelo seu anti-vírus, segue abaixo um pequeno trecho da letra:

É créu!
É créu nelas!
É créu!
É créu nelas!
“Vambora, que vamo”!
“Vambora, que vamo”!

Então vambora. Antes, porém, preciso me despedir. Mas não sem contar a última do dia. Nunca na história deste país, o amigo ganhou tantos discípulos. O povo a cada dia mais quer ver para crer, desconfiado de tantas histórias mal contadas ou promessas não cumpridas. O triste, no entanto, ou porque não dizer bastante engraçado, é que às vezes o povo vê, e quando isso acontece, perplexo, prefere não acreditar!!!