Surpreendentemente jovens

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: terça-feira, novembro 4, 2014 - Compartilhe/Salve - 2 Comments
Da esquerda pra direita: Patrícia Raposo, Leonardo Apolinário, Willian Cunha, Alceu Kuhn e Carlos Ferrari.

Da esquerda pra direita: Patrícia Raposo, Leonardo Apolinário, Willian Cunha, Alceu Kuhn e Carlos Ferrari.

Semana passada participei de um Encontro Nacional que se propôs a promover a incidência política de jovens cegos no Brasil. Fazer parte deste processo, como palestrante e membro da direção da entidade nacional organizadora, foi uma experiência que superou todas as minhas expectativas, e espero poder neste texto, ter a capacidade de esculpir com palavras o tamanho do significado desta experiência para mim enquanto cidadão e militante.

Tecnicamente, sou cego desde que nasci, porém, foi na fronteira da adolescência com a idade adulta que comecei a experimentar as infinitas possibilidades que se tem quando se aceita, de fato, como realmente somos. Nunca neguei a cegueira, mas foi conhecendo outros colegas cegos e participando de associações de base que descobri que podemos ser mais fortes juntos, aprender com nossas limitações e ensinar com nossas potencialidades. Em 1999, a convite de um amigo, decidi seguir de ônibus até Guarapari, no Espírito Santo. Lá se realizaria um Encontro Nacional de Educadores de Deficientes Visuais e seria, também,  a minha primeira experiência em eventos organizados pelo movimento associativista nacional.

Há fora todo o desafio de seguir para um Estado desconhecido acompanhado apenas pela bengala, aqueles dias me foram especiais, pois me oportunizaram conviver com lideranças históricas para o segmento. Talvez muitos de vocês leitores não conheçam nomes como: Hamilton Garai da Silva, Edison Ribeiro Lemos, Adilson Ventura, Dorina Nowill, todos já falecidos, porém ainda muito vivos na memória de todos que trabalham nessa área. Poder conviver com eles, bater papo, almoçar, enfim, estar próximo, foi um aprendizado e uma emoção que afirmo, sem medo de errar, acabaram me fazendo um homem diferente para a vida toda.

Agora, quinze anos depois estamos aqui em João Pessoa. Eu, nosso presidente Moisés Bauer, Mizael Conrado, vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Volmir Raimondi, presidente da União Latino-Americana de Cegos. Agora, somos nós os líderes, e claro, também de certa forma, os responsáveis por estimular os que estão chegando a escreverem os próximos capítulos dessa história de luta.

Afirmo-lhes caro leitores, que saio daqui com a convicção que temos um belo caminho pela frente. Pude trocar ideias com uma moçada questionadora, propositiva, conectada e principalmente, convicta de que querem serem – eles próprios – os protagonistas da luta por direitos no Brasil.

Foram dias intensos com muitas palestras, mas também de rodas de conversa com cantoria e muito bate-papo durante os intervalos. Decidi escrever esse texto para homenagear os mestres que me motivaram a chegar até aqui e os futuros líderes que, em algum momento, assumirão a condução de nosso movimento. Também escrevo para lhes provocar a refletir sobre o quanto é importante termos referencias para um dia também, quem sabe, virmos a ser referência.

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2 Comentários para “Surpreendentemente jovens”

Comment de Alceu Kuhn
Tempo 4 de novembro de 2014 até 9:46 PM

Sinto-me honrado em ter feito parte desse novo capítulo do movimento de cegos do Brasil, promovido pela Organização Nacional dos Cegos do Brasil e principalmente abrilhantado por nossos jovens cegos. Parabéns e sucesso a todos nós!

Comment de Antonio Almeida
Tempo 17 de Março de 2015 até 3:47 PM

Meu nome Antonio Almeida, estou iniciado na área de vendas produtos Braille gráficos. Acho que todos os jovens cegos tem que usar mas os lugares públicos. Como com mas frequência, exemplo restaurante onde não vejo pessoa deficientes como cegos nos finais de semana.
Quero aprofundar juntos com alguns proprietário de bar e restaurantes, como poderia fazer este movimento para aproximar mas próximo em lugares como pizzaria dos barros. Fiquei muito feliz em ler Encontro Nacional que se propôs a promover a incidência política de jovens cegos no Brasil. Fazer parte desta leitura.
Grato

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