O Brasil não sabe o que quer. E você? – Parte II

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: sexta-feira, Fevereiro 13, 2015 - Compartilhe/Salve - Deixe um comentário

Bandeira do Brasil

Hoje continuamos a nossa conversa apimentada com mais três de dez ingredientes que tomam espaços na mídia e em debates políticos, mas ainda com poucos avanços se pensarmos em     posicionamentos bem fundamentados, sem fanatismos ou achismos de toda ordem.

4. Liberação das drogas

Vamos combinar que a polêmica já nasce com um grande erro de origem. Drogas já são liberadas e podemos comprá-las, inclusive, em estabelecimentos com denominação específica, afinal, quem já não entrou em uma drogaria? O que se deve discutir é o quê se entende, no Brasil, por drogas sejam elas lícitas ou ilícitas. E em sendo ilícitas qual tratamento queremos que seja dado para quem produz, comercializa e consome? Entre a ‘romantização’ da maconha  e o extremismo de parlamentares poderosos ou agentes midiáticos conservadores, fica um grande vazio que clama pela necessidade de encontrarmos efetivamente um caminho qualificado para que possamos vencer, não o usuário da droga A ou B, mas sim todo o sistema complexo de violência, corrupção e mortes que se instalou no País a partir da maneira pela qual o Brasil trata essa questão.

5. Democracia e ditadura

De tempos em tempos assistimos a alternância de posturas sociais ora mais progressistas, ora totalmente reacionárias. Nesta batida, acompanhamos perplexos, jovens e idosos, ricos e pobres, ainda que em números inexpressivos, saindo pelas ruas clamando pela volta da ditadura. De cara já vale nos perguntar: será que eles sabem realmente o que estão negando, ou pior, pedindo? Precisamos fazer chegar a todo o povo brasileiro que democracia não se trata apenas do ritual de votar no fraco conjunto de possibilidades que nos é apresentado. Democracia é direito de se expressar, de ir e vir, de participar da construção das regras que poderão impactar em nossas vidas hoje ou daqui a vinte anos. Vejam como Zygmunt Bauman, filósofo e pesquisador, enxerga a democracia brasileira a partir do conceito instituído por ele de ‘Sociedade Líquida’, onde as relações sociais, atualmente mais fluidas, ficam sem ‘amarras’ e podendo, como a água, cumprir um papel dialético capaz de viver o paradoxo de ser passageiro e, ao mesmo tempo, protagonista da construção do seu próprio tempo e caminho. Diz ele: “Eu acho que a democracia no Brasil passou por um teste muito difícil, não somente na questão de eleger o seu presidente de tempos em tempos. Democracia é sobre habilitar os cidadãos a exercerem a cidadania de fato, não apenas pela lei. Somos todos cidadãos por decreto, porque temos documentos, mas isso não significa que todos sejamos capazes de nos envolver nas atividades em que os cidadãos devem ser envolvidos. É sobre habilitar as pessoas a participarem da condução dos assuntos do Estado. Assim, democracia é sobre cuidar não só da opinião da maioria, mas também ajudar as minorias a terem suas vozes ouvidas. Ter algo a dizer, em primeiro lugar, e tornar-se interessante de ser envolvido, ser engajado. Se avaliarmos não pelo número de eleições, mas pelo efeito sobre quantos reais cidadãos verdadeiramente existem agora no Brasil – em comparação com, digamos, 1970 –, se usarmos essa métrica, veremos que é uma das melhores democracias do mundo”.

6. Aborto

O recém eleito Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, disse que a legalização do aborto só será votada se passarem por cima do cadáver dele. Independente de sermos contra ou a favor, será que é assim que se deve tratar tudo aquilo que parece antagônico ao nosso modo de pensar? Será que os brasileiros conhecem os números que apontam para a morte de centenas de milhares de mulheres por abortos clandestinos? E se caminhássemos para a legalização, quais seriam os parâmetros? Sei que em torno disso existem inúmeros elementos de ordem religiosa, filosófica e até científica. Acredito que tais variáveis sejam ainda mais motivos suficientes para que fujamos do papinho simplista que resume a conversa ao “sou contra, sou a favor”.

Buscar conhecimentos e ouvir o contraditório é, sem dúvidas, a melhor estratégia para que tenhamos de fato a nossa opinião. Você discorda? Então vamos continuar essa conversa em: www.blogdoferrari.com.br; no Twitter: @blogdoferrari; ou no Facebook: www.facebook.com/professorferrari .

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