O que lhe parece belo

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: sexta-feira, Março 20, 2015 - Compartilhe/Salve - Deixe um comentário

A política passa, mas os amigos ficam!!!

A política passa, mas os amigos ficam!!!

Em meio a tanto ódio e descompromisso com a generosidade, tem sido difícil navegar pela Internet sem esbarrar em amigos de longa data rompendo vínculos e degladeando-se em nome de suas “convicções econômicas, sociais e políticas”. Pessoalmente, tenho lido muita coisa bacana a respeito desse fenômeno vivido pelo país, logo entendo que é hora de nos esforçarmos para sair desse Fla x Flu ideológico, pois há muitas coisas para serem debatidas e feitas antes que a verdade absoluta de um lado ou de outro acabe ganhando destaque isolado em nossas estruturas de poder.

Pensando nisso, decidi contribuir propondo temas que nos fazem bem para alma, independente da cor partidária, do time de futebol, da religião, enfim. Quero falar do que nos encanta por ser belo e, antes que alguém argumente que em sendo belo sempre haverá o   feio surgindo como contraponto, preciso discordar, pois o belo nos faz bem para alma sem necessitar negar o feio, ou seja, o que verdadeiramente elegemos como belo se basta.

Pensem naquela canção que te pega pela mão e caminha contigo até algum lugar no tempo. Diferente de seu time de futebol, ela não necessita de algo a vencer para fazer seu coração bater mais forte. O que dizer então daquele livro que ao fim lhe fez pensar por horas ou, em alguns casos, até chorar. Diferente da sua posição política, não foi necessário negar outras possibilidades para que aquelas páginas ganhassem lugar em suas histórias e memórias.

O belo se apresenta a nós de forma arrojada, avassaladora e me atrevo a dizer que até invasiva. Trata-se de um fenômeno que minimamente podemos descrever, porém impossível de se traduzir, pois a beleza configura-se em uma espécie de certificação individual  que, por vezes, ganha força coletiva. Nestes casos, acontece um poderoso efeito sinérgico que na maior parte das vezes assegura ao eleito lugar garantido na história de um povo.

Um quadro, uma música, um sorriso, um local, uma história, um rosto, uma voz, um discurso, uma postura, um acontecimento. O belo não tem regras para se manifestar, pois só existe na medida em que alguém lhe sente e reconhece. Assim, o belo depende do humano, logo pode ser incompreendido, ignorado ou até subjugado; contudo, o belo já cumpriu sua função no momento em que se fez possível e único para quem o reconheceu.

O belo verdadeiro é o principal antídoto para a pasteurização da beleza. Assim, alguém pode ter até afirmado ser bela aquela canção que ganhou vida graças à repetição inconsequente de algum veículo de mídia bem remunerado. Mas, ao fim das contas, ela passa, se torna descartável, e o que de verdade é belo ganha espaço nos corações e mentes das pessoas independente de acúmulo econômico, social, cultural e/ou intelectual.

Proponho que reverenciemos o belo e busquemos nesta possibilidade uma saída diante de tantas posturas radicais e sem brilho.

Me despeço com ajuda do mestre Rubem Alves: ”Lutam melhor aqueles que têm sonhos belos. Somente aqueles que contemplam a beleza são capazes de endurecer sem nunca perder a ternura. Guerreiros ternos. Guerreiros que lêem poesias. Guerreiros que brincam como crianças”.

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