O que você acha disso?

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: sexta-feira, Janeiro 16, 2015 - Compartilhe/Salve - One Comment

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Em tempos em que se pode opinar por meio de botões das redes sociais, curtindo, compartilhando e comentando, cada vez mais as pessoas ganham coragem para se posicionar sobre tudo e todos que acabam aparecendo em suas timelines. Os que ainda não se conectaram ao mundo virtual, acompanham curiosos e porque não dizer com uma certa dose de espanto, as notícias anunciadas e repercutidas  por algum parente ou amigo, como se fossem estes, algo parecido como uma espécie de recém chegados de um planeta,  em pleno funcionamento paralelo   a “realidade sem graça” dos ainda  offline.

Ontem, aguardando para pagar os pães na fila da padaria, ouvi um cara dizendo ao amigo, “eu sou Charlie! Acabei de postar”. O amigo meio sem graça, com voz um pouco confusa perguntou, “porque mano??? Desde quando você virou isso aí?”. A postura desinformada e desplugada do debate global em torno do terror, fez com que o mais novo Charlie declarado no facebook, iniciasse um sermão para o colega, digno de invocação da Nossa Senhora da Vergonha Alheia. “Caramba moleque, em que mundo você vive? Charlie é o nome do Jornal onde os terroristas muçulmanos, mataram os jornalistas franceses”! Na sequencia desta explicação já recheada de equívocos e preconceitos, vieram muitas outras frases, sustentadas por um tom de voz digno de especialista em geopolítica internacional. Já com meus pães e a conta devidamente paga, seguindo para a rua, ainda deu tempo de ouvir o rapaz “desinformado” afirmando para o amigo, “ah se é isso então, pode falar aí no facebook que eu também sou!”

As reflexões decorrentes da tragédia ocorrida na França, disponíveis em diferentes veículos de mídias tem sido riquíssimas. Tratam da necessidade de buscarmos compreender de fato o que é liberdade de expressão, nos chamam a pensar sobre a tensão vivida pela Europa diante das ameaças do Estado Islâmico, e nos emocionam diante da indignação de milhões de muçulmanos do mundo todo, frente à atrocidade cometida por pessoas que segundo eles não os representam.

Contudo, infelizmente replicando a situação vivida a partir de tantas outras polêmicas menos relevantes, o oba-oba em torno do tema cresce de forma desqualificada e irresponsável. Milhares de pessoas repetem o mantra Je suis Charlie, sem ter ideia do conteúdo da publicação, do impacto do que é publicado para a crença de milhões de outros seres humanos, e o pior muitas vezes sem se quer saber o significado da expressão.

Pessoalmente, acho desnecessárias, de mau gosto, e ofensivas, as charges publicadas pelo Charlie. Penso ainda, que nada pode justificar um ato que tira a vida de pessoas, simplesmente por conta de seus posicionamentos, mas entendo que se faz urgente um debate amplo do que de fato entendemos como liberdade de expressão. Se alguém acha normal zombar do profeta, não pode pleitear a proibição de piadas racistas ou mesmo posturas preconceituosas.

Ao fim das contas, entendo que mais do que nunca, fica um chamado para que as pessoas, possam para além do curtir, comentar, compartilhar ou twittar, usar a internet para se informar com qualidade  antes de se posicionar. Quando opinamos, em maior ou menor medida, também formamos opinião, criamos micro tendências, formando partidários da questão a ou b. Essa capacidade que agora ganha força nos espaços virtuais, deve nos fazer pensar  que temos uma imensa responsabilidade para com aquilo que tornamos público, portanto devemos nos preparar minimamente antes de clicar, sobre qualquer que seja o assunto.

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1 Comentário para “O que você acha disso?”

Comment de Joana Belarmino
Tempo 27 de Janeiro de 2015 até 9:51 PM

excelentes, os artigos mais recentes! Favoritei para ler mais depois!

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