Que horas são?

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: quinta-feira, Março 26, 2015 - Compartilhe/Salve - Deixe um comentário

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Já estou acostumado a dizer as horas como qualquer outra pessoa que socorre alguém preocupado com a posição indicativa dos ponteiros em relação ao tempo presente, ou em outras muitas situações, atendendo a curiosidade legítima de pessoas que se surpreendem ao ver em meu pulso esquerdo uma ferramenta que historicamente só dialoga com o olhar.

O relógio foi feito para ser visto, seja por quem necessite saber das horas, seja por tantos outros que o reconhece como um adereço de beleza, uma joia, um elemento de vestimenta com alto valor agregado. Partindo deste raciocínio alguém pode dizer que relógios e cegos não combinam; argumento que vai para o espaço diante das milhares de vezes em que respondi após um: ‘que horas são?’.

Existem muitas possibilidades de um cego acessar as horas e neste artigo não pretendo esgotar todas elas, mesmo porque, pode ser que no exato momento em que estou lhes escrevendo essas “bem tecladas linhas” pode estar nascendo uma nova possibilidade tecnológica que supere o tema deste texto.

Os relógios mais conhecidos para cegos no Brasil são os nada simpáticos falantes. Eles acabaram se popularizando por conta de uma leva de milhões de peças vendidas para cegos e não cegos, pois trazia consigo uma grande novidade: tratava-se do anúncio das horas por Sr. Abravanel, ele mesmo, o dono do Baú, o cara das telesenas, o garoto propaganda voluntário do Netflix, Silvio Santos. Ocorre que muito antes dos tais brinquedos tomarem lojas e bancas de camelôs, já tinhamos no Brasil algumas possibilidades de relógios com vozes (e cabe observar que  quase em 100% em inglês ou espanhol.

Outra possibilidade é materializada pela proposta de relógios em Braille. Pode-se checar a hora levantando a tampa. O usuário deve tomar um pouco de cuidado, além é claro de manter as mãos limpas no momento da checagem, visto que está com o dedo em contato direto com o mostrador do equipamento. Existem modelos e marcas com boas possibilidades de design, porém os preços no Brasil ainda são um pouco proibitivos e acabam muitas vezes sendo mais caros que os tais falantes. Cegos ainda podem saber das horas com relógios híbridos, ou seja, braille e falante. Esses são bem bacanas, pois em um momento de discrição quando o usuário não quer incomodar quem está por perto pode recorrer á consulta tátil; já em uma festa em que porventura as mãos estejam úmidas ou até engorduradas em virtude daquele churras, utiliza-se  o modo fala.

Pessoalmente tenho um que trabalha com duas possibilidades táteis. Ele tem toda a marcação que sinaliza os minutos em alto relevo, assim como em modo Braille, porém, neste caso, os pontos ficam expostos circundando o visor do aparelho. Quando vou consultar as horas, pressiono a coroa lateral, posiciono o dedo no centro do visor e faço uma varredura em sentido horário. Aí entra em cena a outra solução tátil, no caso retornos vibratórios, sendo um retorno longo identifica a hora e outro curto que me mostra os minutos.

Em tempo de vivermos e testemunharmos a reinvenção dos relógios por parte das grandes empresas de tecnologia, espero que possamos vislumbrar soluções modernas e atrativas de acessibilidade e usabilidade.

Ainda não testei os que já chegaram no mercado, mas em breve espero voltar a esse assunto para compartilhar um pouco de minhas impressões diante das novas possibilidades de experiência no uso de relógios.

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