Um dia para entrar para a história.

Nesse 30 de setembro, entra em vigência o Tratado de Marrakech, um instrumento internacional que mediante algumas exceções aos direitos autorais, permitirá o intercâmbio internacional de obras em formatos acessíveis que ampliará substancialmente o acesso a informação e a cultura para as pessoas cegas e com baixa visão de todo o mundo. Esse tratado é o primeiro instrumento da Organização Mundial de Propriedade Intelectual voltado ao nosso coletivo. Sua entrada em vigência constitui um passo a mais na promoção dos direitos humanos das pessoas com deficiência. A Union Latinoamericana de Ciegos (ULAC) atuou intensamente junto a outras organizações internacionais em nível regional e mundial, capitaneando uma campanha protagonizada por todos os membros afiliados e de todo o seu comitê executivo, a fim de alcançar a adoção desse tratado, que ao fim das contas beneficia também as demais pessoas que possuem dificuldades para acessar o texto impresso. Das 20 ratificações necessárias para que o tratado fosse efetivado, 10 foram aportadas por países da América Latina. Isso se deu pelo compromisso e intensa atuação dos dirigentes de toda região, suas organizações nacionais, dos líderes da ULAC e de inúmeras pessoas anônimas que compreenderam o sentido dessa luta pelo acesso a informação e cultura. A ULAC incentiva as entidades produtoras de livros em formatos acessíveis da América Latina a empregarem esse instrumento de forma efetiva a partir de 30 de setembro, dessa forma gerando mais oportunidades de leitura de livros em braille ou em outros formatos acessíveis. Agora, é o momento de colocar em prática o Tratado de Marrakech, mediante o estabelecimento e fortalecimento de redes de intercâmbio, os acordos com editores e câmaras de autores ou editores, a participação de organismos públicos competentes e qualquer outro autor que possa contribuir com a melhor implementação dessa ferramenta. Apenas os 10 dos 19 países que compõem a América Latina poderão aplicar o Tratado a partir dessa sexta-feira 30 de setembro. As pessoas com deficiência visual dos outros 9 países, deverão aguardar que seus países / Estados ratifiquem o Tratado de Marrakech. É nesse sentido, que a ULAC, juntamente com suas organizações afiliadas e outros parceiros, continuará atuando com a mesma força e compromisso para possibilitar que essa ferramenta esteja disponível em toda a região, por tratar-se de uma das chaves fundamentais para alcançar uma real e efetiva inclusão social. A Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a Agenda 2030, e o Tratado de Marrakech, são conquistas que demostram com contundência que nosso protagonismo faz a diferença!

Não deixe para o ano que vem

Como você funciona perto do fim de ano? Tem gente que faz promessas, outros tentam construir uma retrospectiva, tantas outras pessoas meio que deixam passar batido. Nesse nosso último encontro de 2011, pensei em conversarmos um pouco sobre como seria se tivéssemos pensado uma metodologia, que nos permitisse aproveitar melhor esse divisor de águas.

Resolvi escrever pois, pensando na ideia, cheguei à conclusão de que no geral aproveita-se pouco a oportunidade histórica que temos de terminar e começar um ciclo de vida.

Vivemos 365 dias, com perdas, conquistas, erros e acertos, e pergunto a você ‘o que fazemos de fato com essas informações?’ Pensemos em uma avaliação: poderíamos fazer uma leitura sobre a ótica financeira, planilhando nossos gastos e ganhos, mas faltaria ainda pensarmos, por exemplo, em nossos ganhos e perdas de caráter social, físico, religioso, cultural e afetivo.  Pergunto a vocês ‘quanto tempo nos permitiríamos dedicar a essas reflexões, e o principal, como isso seria feito?’ Poderíamos escrever, rabiscando pequenos gráficos, planilhar no Excel, fazer um texto corrido, mas, veja que fantástico, teríamos no final um produto, fruto de um compromisso feito de nós para nós mesmos.

Um planejamento da mesma forma exigiria dedicação, e uma metodologia previamente eleita. Isto significa que, mais do que promessas para 2012, poderíamos pensar o ano mês a mês, quinzena a quinzena, semestre a semestre. Depende de como funciona cada um. Nossos sonhos ganhariam datas, ou senão ao menos estariam registrados, tendo de fato decretada suas chegadas a realidade.

Como tudo que exige método, minha proposta pode ser considerada burocrática, chata e trabalhosa. Quero, no entanto, refletir com você o quanto essa experiência poderia ser desafiadora. Não tenho dúvida dos desconfortos que poderíamos ter diante do reencontro com tropeços já enterrados em algum canto, abandonado em nosso arquivo de memórias. Por outro lado, tratar-se-ia de uma medida corajosa, de enfrentamento, e mesmo que esse fosse o último seria único, pois teria como origem sua vontade para tal.

 

Quanto a planejar, sei bem da ousadia que se deve ter para assumir tal decisão. Quando oficializamos, mesmo que seja algo intimista, para si mesmo,  quaisquer que sejam os planos, assumem uma dimensão maior e nos levam a temer a frustração de não vê-los consumados. Pois bem, quem sabe sua metodologia não pode contemplar inclusive essa variável, ou seja, uma escala de x a y, que permita quantificar os níveis de possibilidade de tal projeto, ter um final ou não tão feliz.

Esse texto é um convite. Não deixemos mais para o próximo ano a possibilidade de nos avaliar e nos planejar com maior respeito e compromisso com nossa própria história. Ah, claro que isso passa por uma decisão, e as vésperas de chegarmos ao fim de ano, só posso lhe desejar sorte, sucesso na escolha, e um excelente 2012!