As nossas leituras

Por Carlos Ferrari - Atualizado em: quarta-feira, Maio 6, 2015 - Compartilhe/Salve - Deixe um comentário

Lembro-me de questionar com veemência, inclusive sem ter clareza da sanidade, os boatos que davam conta do forte crescimento do whatsapp, inclusive se colocando como futuro legítimo sucessor do Facebook nas preferencias de gente conectada espalhada por todo o  mundo.

Meses se passaram, o Facebook comprou o whatssapp, e hoje já não duvido – nem tão pouco me atrevo em apostar – sobre quem ou qual será o grande protagonista da arte de nos aproximar por meio de bits. Diante dos fatos e possibilidades prefiro fazer diferente, ou melhor, pensar diferente, buscando contemplar, usufruir e problematizar tratando das novidades diárias que pipocam via os múltiplos dispositivos que nos levam à Internet.

Hoje quero lhes contar sobre a experiência de viver em grupos do ‘zap zap’. Pois é, vamos   chama-lo assim, pois foi desse jeito que o app de dezesseis bilhões de dólares acabou baixando em nossos telefones e vidas. Primeiro, nos seduzindo  com a novidade de podermos nos comunicar com agilidade e baixo custo; segundo, com a possibilidade de fazermos isso cada vez com mais pessoas e, de repente, nos permitindo reconstruir e comceber novas turmas e tribos.

Pessoalmente tenho como grupos ativos: um comitê técnico científico que discute questões relacionadas à produção de conteúdos e metodologias destinados a qualificar o movimento de cegos latino-americano; um grupo de amigos que compartilham descobertas de rótulos de cervejas artesanais; e shows de MPB e rock na Grande São Paulo. Tem também a grande família, onde diariamente me encanto ao testemunhar os avanços de meus pais e tios no mundo digital; ainda  participo de um grupo de dicas sobre a utilização de produtos Apple por pessoas cegas e com baixa visão e, é claro, estou também no grupo do trabalho, que não nos dá descanso sequer de fim de semana. Existem os grupos esporádicos para tratar de eventos e situações específicos e, não ocasionalmente por último, também estou no grupo que emprestou o nome para essa coluna.

Lá participam pessoas cegas e com baixa visão compartilhando suas experiencias e descobertas. Escolhi falar um pouco mais do convívio neste grupo, pois acredito ser importante levar a vocês o quanto significa para nós cegos vislumbrarmos a possibilidade concreta de ler aquilo que quisermos. Trata-se de uma revolução no sentido mais belo e transformador que essa palavra um dia pôde nascer para dar.

Em “as nossas leituras” fazemos verdadeiras revoluções diárias ao compartilharmos todas as  dificuldades de décadas anteriores, onde a produção braille não alcançava nossos anseios e necessidades. Nos divertimos e nos emocionamos ao lembrar da chegada da Internet, da conexão discada, enfim, da explosão de mundo materializada em letras e sons que, de repente se mostravam acessíveis.

É importante deixar claro que em muito ainda precisamos avançar para que o acesso à leitura seja, de fato, algo simples e com a dignidade necessária e almejada por pessoas cegas e com baixa visão deste país. Contar para vocês o imenso prazer de falar sobre livros com amigos de diversas partes do país, a qualquer hora e em qualquer lugar, traz a ideia de lhes chamar a pensar sobre o quanto podemos aproveitar e fazer a partir dos novos recursos tecnológicos e mais que isso, das novas possibilidades humanas de convívio no espaço virtual.

Agradeço e cumprimento a amiga Magda, idealizadora da nova turma, e recomendo sem medo de errar que possam conceber ideias semelhantes.

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